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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Era Uma Vez no Oeste

Em 1969 o diretor Sergio Leone, conhecido por ótimos filmes de Faroeste, dirigiu o longa ‘Era Uma Vez no Oeste’, uma verdadeira obra prima, com um elenco formidável, com direito a tudo que um verdadeiro Western tem direito. Esse foi um dos melhores faroestes já feitos, sem contar que é bem diferente dos demais que Leone já apresentou. Esse é um dos diretores que deixou saudade.

O longa já começa em alto estilo, mostrando mais um dia de sol intenso no velho Oeste, três homens com longas capas bege aguardam a chegada do trem em sua estação. Não querem bilhetes, mas também não pretendem viajar. De arma em punho, eles apenas esperam, no mais puro tédio que resume a palavra. Um está embaixo de uma goteira, bebendo a água que se acumula em seu chapéu. Outro brinca com uma mosca, que passeava por sua barba por fazer. O terceiro cospe no chão. O vento. A expectativa. O apito. Ele anuncia que a espera chegara ao fim. Os três tomam posição estratégica, aguardando alguma coisa. Ou alguém. Engatilham suas armas e, mais uma vez, esperam. O trem descarrega os itens que para ali se destinam, mas ninguém desce. Os homens observam atentos. Nada. Novamente o apito e o trem começa a andar, partindo. Os homens abaixam suas armas e viram as costas. Nesse momento, ouve-se o som de uma gaita. Eles param e viram-se rapidamente, com as armas novamente em punho. Assim que o trem termina de passar, um homem revela-se por detrás dele, do outro lado do trilho. Ele tem uma gaita em mãos.

Tudo isso acontece nos primeiro 15 minutos. Porém, é tudo acompanhado pela clássica trilha sonora de um verdadeiro filme de faroeste, nada além disso, nem um diálogo é feito mesmo.

Entrando na história, o longa mostra o barão ferroviário Morton (Gabrielle Ferzetti), ele contrata um temido pistoleiro, Frank (Henry Fonda), para afugentar a família de Brett McBain (Frank Wolff), donos da terra que será valorizada com a chegada da estrada de ferro. Mas o bando do pistoleiro decide massacrar a família e depois plantar evidências contra o bando de Cheyenne (Jason Robards), um bando de fora-da-lei. Nesse meio tempo chega à cidade Jill (Claudia Cardinale), vinda do leste, ela foi uma prostituta e revela ser ah senhora McBain, e por tanto as terras ainda tem dono. Ela recebe a proteção do misterioso Gaita (Charles Bronson), ele é rápido no gatilho e faz parceria com Cheyenne. Mas Gaita tem contas a ajustar com o temido matador Frank.

‘Era uma vez no Oeste’ é um filme muito mais plástico que os outros de Leone, ele é um drama ambientado no Velho-Oeste, onde acontece uma história muito mais profunda, sem humor e com violência menos explícita que em seus outros filmes, mas essas não são necessariamente características ruins. São apenas diferentes. Até mesmo o jeitão do “Gaita” não combina com o favorito do diretor Clint Eastwood. Ele não é irônico, canastrão e nem brinca com a cara das pessoas. Ele é apenas um tremendo grosso que impõe a sua força quando necessário, calado e de atitude. Em Charles Bronson o diretor encontrou a pessoa certa para combinar boa atuação com o perfil que o personagem exigia.

O filme consegue te prender de uma forma inexplicável e ao mesmo tempo bem tensa em todos os momentos, o jeitão calado e frio do protagonista te deixa atento para saber ou tentar adivinhar o seu próximo passo, enquanto o espectador tenta descobrir o porque dele responder o nome de tantos homens mortos quando o seu verdadeiro nome é perguntado.

Sem contar que o longa consegue levar o segredo da vingança que o personagem de Charles Bronson planeja contra Frank - interpretado por Henry Fonda – até o último segundo do filme, com direito ao estilo de um clássico duelo onde só o mais rápido no gatilho vai sair vivo.

A atuação da bela Claudia Cardinale (Jill Brett McBain), é de hipnotizar, mas não só pela beleza dela, como o jeito que ela leva a sua personagem, pois o espectador só descobre que ela é um ex prostituta muito depois de muita coisa já ter rolado durante a trama. Já a Jason Robards (Cheyenne), mostra um fora-da-lei bem diferente e justo, levando seu personagem em um certo humor muito bem encaixado.

O roteiro muito bem amarrado dispensa comentários, pois o filme todo é seguido com diálogos que não tropeça em momento algum, mas isso já é uma marca registrada para quem conhece o trabalho do inesquecível Sergio Leone.

Esse é mais um que eu recomendo, além de recomendar todos desse diretor que nunca errou na mão quando o assunto era Western.


Nota: 10
Download: ‘Era Uma Vez no Oeste’



Título original: (C'era una Volta il West)
Lançamento: 1969 (Itália, EUA)
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci.
Duração: 166 min.
Gênero: Western
Estúdio: Paramount Pictures / Rafran Cinematografica / San Marco Production
Distribuidora: Paramount Pictures / UIP


Elenco:

Henry Fonda (Frank)
Claudia Cardinale (Jill McBrain)
Jason Robards(Cheyenne)
Charles Bronson (Homem)
Frank Wolff (Brent McBain)
Gabriele Ferzetti (Morton)
Paolo Stoppa (Sam)
Jack Elam (Knuckles)
Woody Strode (Stony)
Lionel Stander (Barman)
Keenan Wynn (Xerife)


Curiosidades:

- As filmagens externas foram realizadas em Monument Valley, nos Estados Unidos, locação costumeira de John Ford, e no deserto de Almeria, na Espanha. Já as filmagens internas foram feitas nos estúdios de Cinecittà, em Roma. Considerado lento pela crítica e pelo público, ‘Era Uma Vez no Oeste’ foi um fracasso de bilheteria. O filme só foi reconhecido mais tarde, e hoje é aclamado por muitos como um dos melhores Westerns de todos os tempos;

- Houve um erro na tradução do título original para o inglês, e, conseqüentemente, para o português. O título em italiano, "C'era Una Volta Il West", significa "Era Uma Vez O Oeste", ou seja, o fim do Oeste como era conhecido, que foi destruído pelo progresso;

- O ator Henry Fonda inicialmente recusou o convite do diretor Sergio Leone para estrelar ‘Era Uma Vez no Oeste’. Fonda apenas aceitou participar do filme após o próprio Sergio Leone viajar para os Estados Unidos e convencê- lo a estrelar o longa;

- Originalmente era a intenção do diretor Sergio Leone que Clint Eastwood interpretasse o personagem que acabou ficando com Charles Bronson;

- O diretor Sergio Leone pretendia que os três protagonistas de ‘Três Homens em Conflito’, Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach, aparecessem em uma pequena ponta no segmento logo no início do filme, mas como Eastwood não estava disponível no período das filmagens esta idéia acabou sendo arquivada;

- Al Mulock, que interpretou um dos três atiradores que aparecem na sequência de abertura do filme, se suicidou em pleno set de filmagens;

- Os créditos do filme são mostrados no decorrer dos 14 minutos iniciais de ‘Era Uma Vez no Oeste’;

- Algumas versões americanas do longa possuem 20 minutos a menos que a versão original, excluindo diversas cenas do filme como todas as que aparecem o personagem de Lionel Stander;

- ‘Era Uma Vez no Oeste’ é a primeiro filme da trilogia feita pelo diretor Sergio Leone sobre a América. Os demais filmes foram ‘Quando Explode a Vingança’ (1972) e ‘Era uma Vez na América’ (1984).

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