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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Faroeste Caboclo

Sou um fã assumido de Legião Urbana, sempre admirei Renato Russo e fiquei feliz por saber que uma de suas músicas iria se tornar filme. No começo fiquei ansioso, mas depois de ver tantos problemas antes do filme estrear, que minha ansiedade transformou em só mais uma espera e depois sumiu, não tive coragem de ver no cinema e esperei até agora para enfim assistir ‘Faroeste Caboclo’.

Bom, vou tentar não levar para o lado pessoal da coisa. Primeiro, que fique bem claro que eu não tenho nenhum preconceito por filmes nacionais, muito pelo contrário, existem produções nacionais digna de reconhecimento, como por exemplo, ‘Tropa de Elite 1 e 2’, ‘Estomago’, ‘Caixa Dois’, ‘O Homem Que Copiava‘, entre outros. Mas o que realmente é um perigo, é quando temos um filme com um roteiro já “pré-criado”, pois trata-se de um filme baseado numa música conhecida por todos, e um diretor estreante que com certeza fez tudo nesse longa, menos dirigir. A direção de René Sampaio é horrível, chega a doer, falhas e mais falhas, seguindo um roteiro confuso cheio de baixos e baixos, nada da certo e o que você vê é algo tão fora de contexto que chega a ser chato demais.

Apesar de não precisar explicar a sinopse desse longa,  que infelizmente está completamente fora de qualquer sequencia da música, a trama mostra João (Fabrício Boliveira), que logo a perda da mãe (isso mesmo, da mãe), deixa Santo Cristo em busca de uma vida melhor em Brasília (hein?). Ele quer deixar o passado repleto de tragédias para trás. Lá, conta com o apoio do primo (de novo, mas hein?) e traficante Pablo (César Troncoso), com quem passa a trabalhar. Já conhecido como João de Santo Cristo, o jovem se envolve com o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que mantém um emprego como carpinteiro. Em meio a tudo isso, conhece a bela e inquieta Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador (Perai, Senador?) (Marcos Paulo), por quem se apaixona loucamente. Os dois começam uma relação marcada pela paixão e pelo romance, mas logo João se verá em meio a uma guerra com o playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib), que coloca tudo a perder (desisto, sério, chega, já deu!).

Pois bem. Vamos ao roteiro, algo que eu quero destacar em detalhes e com muito cuidado, para que quem sabe um dia os roteirista e René, possam ler essa minha crítica e ver o quanto eles erraram, (mas por favor, sem Remake!). Acredito que todos conhecem a letra, mas vou mesclar, letra e roteiro. Primeira parte:

MÚSICA 1ª PARTE: Não tinha medo o tal João de Santo Cristo/Era o que todos diziam quando ele se perdeu/Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda/Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu/Quando criança só pensava em ser bandido/Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu/Era o terror da cercania onde morava/E na escola até o professor com ele aprendeu. Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro/Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar/Sentia mesmo que era mesmo diferente/Sentia que aquilo ali não era o seu lugar/Ele queria sair para ver o mar/E as coisas que ele via na televisão/Juntou dinheiro para poder viajar/De escolha própria, escolheu a solidão. Comia todas as menininhas da cidade/De tanto brincar de médico, aos doze era professor/Aos quinze, foi mandado pro reformatório/Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror/Não entendia como a vida funcionava/Discriminação por causa da sua classe e sua cor/Ficou cansado de tentar achar resposta/E comprou uma passagem, foi direto a Salvador...

ROTEIRO: Não lembro em parte alguma do filme mostrar a infância de João, mas é claro, pois em nenhum momento a infância dele é mostrada, o máximo é alguns flashback que o protagonista tem sobre UM momento com o pai, onde por causa de um desentendimento no bar o pai dele é morto por um policial, veja bem, não um soldado, onde é morto por vários tiros, e não um apenas.  “Quando criança só pensava em ser bandido”, estranho, pois no longa ele vive falando que nunca quer ser bandido, e por fim não tem professor, não tem igreja, não come ninguém (só a Isis), reformatório virou FEBEM, no lugar de uma fazenda, João vive com a mãe no sertão da Bahia, em meio a seca e fome, sem contar que a cidade de Salvador nem é citada no filme. O sentimento é chegar ao meio da conversa, porque de uma hora para outra ele já está chegando a Brasília.

MÚSICA 2ª PARTE: ... E lá chegando foi tomar um cafezinho/E encontrou um boiadeiro com quem foi falar/E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem/Mas João foi lhe salvar. Dizia ele: "Estou indo pra Brasília/Neste país lugar melhor não há/Tô precisando visitar a minha filha/Eu fico aqui e você vai no meu lugar". E João aceitou sua proposta/E num ônibus entrou no Planalto Central/Ele ficou bestificado com a cidade/Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal. "Meu Deus, mas que cidade linda,/No Ano-Novo eu começo a trabalhar". Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro/Ganhava cem mil por mês em Taguatinga/Na sexta-feira ia pra zona da cidade/Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador/E conhecia muita gente interessante/Até um neto bastardo do seu bisavô. Um peruano que vivia na Bolívia/E muitas coisas trazia de lá/Seu nome era Pablo e ele dizia/Que um negócio ele ia começar. E Santo Cristo até a morte trabalhava/Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar/E ouvia às sete horas o noticiário/Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar/Mas ele não queria mais conversa/E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar/Elaborou mais uma vez seu plano santo/E sem ser crucificado, a plantação foi começar...

ROTEIRO: Como disse antes, não tem viagem para Salvador, boiadeiro então? Nem pensar! No lugar do cafezinho João chega em um boteco qualquer e rouba um prato de comida, onde Santo Cristo está a procura pelo seu primo (tenso), seu primo Pablo, um peruano sem vergonha que não convence nem como paraguaio. Pablo no longa é um traficante meia boca que tenta comandar uma espécie de milícia na favela onde vive. Então você espera ao menos ver as luzes de Natal, mas tudo que aparece é uma ponte com algumas luzes que mais parece um enfeite natalino muito do mal feito. Então uma coisa condiz com a música, João começa seu trabalho como carpinteiro (como tem que ser!), porém, não se vê nenhuma zona da cidade, ele não conhece ninguém interessante e muito menos o tal neto bastando do seu bisavô. Voltando sobre Pablo, na letra de Renato Russo, a ilusão que temos de Pablo, é um peruano trambiqueiro, daqueles que resolve tudo a qualquer hora, mas como já dito, esse Pablo não passa de um traficante meia boca e sem vergonha. Então, eis que acontece algo esperado: a plantação, João começa uma plantação de maconha para conseguir dinheiro e impressionar Maria Lucia (acredite, nesse longa ele já conheceu e já ficou com ela antes de tudo isso), e pra piorar, ele ainda tem coragem de falar forçadamente a frase: “Logo, logo os maluco da cidade souberam da novidade” e alguém responde: “Tem bagulho bom aí!”, é de doer.

MÚSICA PARTE 3: ... Logo, logo os maluco da cidade souberam da novidade/"Tem bagulho bom ai!"/E João de Santo Cristo ficou rico/E acabou com todos os traficantes dali/Fez amigos, frequentava a Asa Norte/E ia pra festa de rock, pra se libertar/Mas de repente/Sob uma má influência dos boyzinho da cidade/Começou a roubar. Já no primeiro roubo ele dançou/E pro inferno ele foi pela primeira vez/Violência e estupro do seu corpo/"Vocês vão ver, eu vou pegar vocês". Agora o Santo Cristo era bandido/Destemido e temido no Distrito Federal/Não tinha nenhum medo de polícia/Capitão ou traficante, playboy ou general/Foi quando conheceu uma menina/E de todos os seus pecados ele se arrependeu/Maria Lúcia era uma menina linda/E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu/Ele dizia que queria se casar/E carpinteiro ele voltou a ser/"Maria Lúcia pra sempre vou te amar/E um filho com você eu quero ter"...

ROTEIRO: E mais furos, mas sequencia quebrada, mais roteiro furado. Após a plantação, parece que talvez alguma coisa vai fazer sentido entre música/filme, (mais uma vez fomos surpreendidos novamente), pois como já falei, João já está envolvido com Maria Lucia que ele conhece após uma fuga da policia, mas já comento sobre isso... Então, mais uma vez não se vê nenhum amigo, e sim uma turminha que ignora o protagonista por causa de sua cor, mas começam a aproximar quando descobrem que a maconha dele é melhor do que as drogas de Jeremias. Mas, nada de se envolver com os “boyzinho da cidade”,  nada de roubo, e a única violência que se vê e em partes condiz com a música, é João sendo espancado pelos capangas de Jeremias e por fim estuprado. Mas nem isso mostra a revolta de João, nada de um ser destemido, sem medo e passando por cima de todos, absolutamente, nada disso. E por fim, a pior coisa que acontece no filme é o encontro de Santo Cristo com Maria Lucia, enquanto na música ele passa por grandes conflitos financeiros e pessoal até chegar a sua amada, nesse longa eles já se encontram antes de tudo, Jeremias já apareceu mostrando interesse na mocinha e uma hora para outra o casal já se ama, já estão juntos e ele escondendo sua “vida bandida” da mocinha.

MÚSICA PARTE 4: ... O tempo passa e um dia vem na porta/Um senhor de alta classe com dinheiro na mão/E ele faz uma proposta indecorosa/E diz que espera uma resposta, uma resposta do João. "Não boto bomba em banca de jornal/Nem em colégio de criança isso eu não faço não/E não protejo general de dez estrelas/Que fica atrás da mesa com o cú na mão/E é melhor senhor sair da minha casa/Nunca brinques com um Peixes de ascendente Escorpião". Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse/"Você perdeu sua vida, meu irmão"/"Você perdeu a sua vida meu irmão/Você perdeu a sua vida meu irmão/Essas palavras vão entrar no coração/Eu vou sofrer as consequências como um cão". Não é que o Santo Cristo estava certo/Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar/Se embebedou e no meio da bebedeira/Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar/Falou com Pablo que queria um parceiro/E também tinha dinheiro e queria se armar/Pablo trazia o contrabando da Bolívia/E Santo Cristo revendia em Planaltina...

ROTEIRO: Está difícil, a cada cena o novato René Sampaio só se complica e se complica feio. Não custava colocar pelo menos uma frase assim: “Alguns dias depois...”, acredito eu que pelo menos daria uma quebrada na situação constrangedora até aqui, mas talvez para economizar um pouco, já que não tem boiadeiro, também não vai ter Coronel. A maior autoridade que se vê é o pai de Maria Lucia que também é Senador, interpretado por Marcos Paulo, que fica claro que está ali só para preencher um buraco mal tampado, sendo assim, então nada de ameaça contra João e se não tem ameaça não precisa se embebedar, (até porque em nenhum momento do filme Santo Cristo está bebendo até cair), então ninguém roubou seu emprego, pelo contrário, ele acaba pedindo sociedade para o carpinteiro e por fim, não tem nada a falar ou pedir para Pablo, já que acredite se quiser, a Winchester-22, arma citada na música não é dada para Santo Cristo, no máximo emprestada, mas não existe um presente desse porte no longa.

MÚSICA PARTE 5: ... Mas acontece que um tal de Jeremias/Traficante de renome, apareceu por lá/Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo/E decidiu que, com João ele ia acabar/Mas Pablo trouxe uma Winchester-22/E Santo Cristo já sabia atirar/E decidiu usar a arma só depois/Que Jeremias começasse a brigar. Jeremias, maconheiro sem-vergonha/Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar/Desvirginava mocinhas inocentes/Se dizia que era crente mas não sabia rezar/E Santo Cristo há muito não ia pra casa/E a saudade começou a apertar/"Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia/Já tá em tempo de a gente se casar"/Chegando em casa então ele chorou/E pro inferno ele foi pela segunda vez/Com Maria Lúcia Jeremias se casou/E um filho nela ele fez/Santo Cristo era só ódio por dentro/E então o Jeremias pra um duelo ele chamou/"Amanhã às duas horas na Ceilândia/Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou/E você pode escolher as suas armas/Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor/E mato também Maria Lúcia/Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor". E o Santo Cristo não sabia o que fazer/Quando viu o repórter da televisão/Que deu notícia do duelo na TV/Dizendo a hora e o local e a razão...

ROTERIO: Está acabando, mas os erros e falhas continuam firme e forte mesmo. Até porque, enquanto na música João nem imagina quem é o tal Jeremias, no longe, ele já conhece o dito cujo momentos depois de “pegar” sua amada Maria Lucia. A tal Rockonha acontece, mas para onde foram as mocinhas inocentes? Porque o que aparece é alguns policias quem nem pra bandido serve fazendo uma emboscada para prender João de Santo Cristo. Seu primo é morto e ele é preso. Maria Lucia então tenta visitar seu amado, ele afasta ela e então, caminho livre para Jeremias que até um filho nela fez (pelo menos isso), mas aí acontece o pior erro de todos, tanto de roteiro, como de cena, sequencia e tudo mais. João descobre que seu amor está esperando um filho do rival, e faz uma fuga tão medíocre, que nem o pior filme B seria capaz de produzir uma ignorância dessa. Então talvez para se redimir, é agora que vamos ver João desafiar Jeremias, jurar a vida de Maria e ser entrevistado por um repórter que vai noticiar o duelo na TV. Haha, enganados novamente, nada disso acontece de novo e a ameaça se torna um recado escrito na mesa com a frase: “Ceilândia, lota 14”. (Doeu muito).

MÚSICA PARTE 6 (FINAL) ... No sábado então, às duas horas/Todo o povo sem demora foi lá só para assistir/Um homem que atirava pelas costas/E acertou o Santo Cristo começou a sorrir/Sentindo o sangue na garganta/João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir/E olhou pro sorveteiro e para as câmeras e/A gente da TV que filmava tudo ali. E se lembrou de quando era uma criança/E de tudo o que vivera até ali/E decidiu entrar de vez naquela dança/"Se a via-crucis virou circo, estou aqui"/E nisso o sol cegou seus olhos/E então Maria Lúcia ele reconheceu/Ela trazia a Winchester-22/A arma que seu primo Pablo lhe deu. "Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é/E não atiro pelas costas não/Olha pra cá filha da puta, sem vergonha/Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"/E Santo Cristo com a Winchester-22/Deu cinco tiros no bandido traidor/Maria Lúcia se arrependeu depois/E morreu junto com João, seu protetor/E o povo declarava que João de Santo Cristo/Era santo porque sabia morrer/E a alta burguesia da cidade/Não acreditou na história que eles viram na TV/E João não conseguiu o que queria/Quando veio pra Brasília, com o diabo ter/Ele queria era falar pro presidente/Pra ajudar toda essa gente que só faz... Sofrer.

ROTERIRO (FINAL) Se o longa seguisse como manda a música não teria um certo alerta de Spoiler nessa parte final, mas tem. Acredite, após absolutamente nada do esperado acontecer, o inesperável que deveria ser então imprevisível acaba caindo no previsível, pois se nada que era para acontecer aconteceu, é claro que não será diferente agora. Lembrando que na música diz: “Todo o povo sem demora foi lá só para assistir”, então pensei, talvez eles estão atrasados, porque o duelo está para acontecer em um campinho de futebol no meio do nada e só mato se vê ao redor, aí o esperado acontece, João é baleado, mas (tem uma “mas”), João é baleado no peito (não pelas costas), no peito mesmo, na sequencia Maria Lucia aparece correndo com a Winchester-22 em punho, mas ainda aquela dúvida: Cadê as bandeirinhas? Cadê a lembrança de quando era criança? Como não tinha “o publico” para aplaudir, cadê o sorveteiro e as câmeras dos agentes da TV? Nada! Nem mesmo o sol aparece para cegar nosso herói e quem ganha uma bala nas costas é Maria Lucia (ué, mas ela não se matou?), não nessa história. Pois bem, como nada é fiel, então João também não precisou gastar saliva antes de dar os cinco tiros em Jeremias. Pelo menos a contagem dos tiros foi feita. E para finalizar, nada de presidente para ouvir o apelo de João de Santo Cristo.

Realmente não da para aceitar isso tudo. A direção é ruim, roteiro... deixa para lá, fotografia dói e o que talvez de uma aliviada é a trilha, que pelo menos faz jus ao gosto musical da época, com muito punk-rock. Mas a certeza é que nem Renato Russo aprovou essa bomba.

Não recomendo mesmo, espero um dia esquecer que presenciei isso.


Nota: 00



Título original: (Faroeste Caboclo)
Lançamento: 2003
Direção: René Sampaio
Roteiro: Marcos Bernstein e Victor Atherino
Duração: 100 min.
Gênero: Drama               
Orçamento: R$ 6 milhões
Distribuidores: Europa Filmes
Classificação: 10 anos


Elenco


Fabrício Boliveira (João de Santo Cristo)
Ísis Valverde (Maria Lúcia)
Felipe Abib (Jeremias)
César Troncoso (Pablo)
Antonio Calloni (Marco Aurélio)
Marcos Paulo (Ney)
Cinara Leal (Teresa)
Rodrigo Pandolfo ( Beto)
Flavio Bauraqui (pai de João)


Curiosidades


- Este é o primeiro longa-metragem que René Sampaio dirige;

- O roteiro foi escrito por Marcos Bernstein (Central do Brasil) e Victor Atherino;

- Ísis Valverde, conhecida por sua participação em novelas brasileiras, faz sua estreia no cinema;

- O longa estava agendado para estrear em 26 de outubro de 2012 inicialmente, porém o filme enfrentou dificuldades na captação do orçamento necessário para sua finalização. Por isso, o adiamento para 2013 se tornou inevitável;

- Baseado na música "Faroeste Caboclo", de Renato Russo, composta em 1979 e que virou sucesso do grupo Legião Urbana a partir de 1987 com o lançamento do disco "Que País é Este". "Faroeste Caboclo" é a segunda canção mais extensa da Legião Urbana, atrás de "Metal Contra As Nuvens";

- A Copacabana Filmes adquiriu em 2005 os direitos de adaptação para o cinema da música "Faroeste Caboclo";

- O escritor Paulo Lins, autor do livro que gerou o sucesso ‘Cidade de Deus’, prestou consultoria para a dupla de roteiristas de Faroeste Caboclo;

- A principal locação do filme aconteceu no bairro Jardim ABC, em Goiás. Lá, foi construída uma cidade cenográfica para reproduzir a cidade de Ceilândia do anos de 1970, retratada na música;

- É o último trabalho do ator Marcos Paulo, que faleceu em 11 de novembro de 2012.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Filme dos Espiritos

Ao contrario do filme biográfico de Chico Xavier que levou o mesmo nome do médium, o longa ‘O Filme dos Espiritos’, adaptação do “Livro dos espíritos”, é um filme sem dúvida voltado apenas para espíritas ou um certo publico que tenha de preferência a mente bem aberta. Porém, religiões a parte este texto visa apenas analisar os aspectos cinematográficos do longa, sem nenhuma intenção de discutir sua crença. Digo isso porque é muito comum as pessoas confundirem com ataques à filosofia Espírita como um todo. Aqui, um blog de cinema, tratarei de única e exclusivamente do filme.

O filme dirigido por Michel Dubret, infelizmente não consegue seguir a mesma linha que os longas ‘Bezerra de Menezes’, ‘Chico Xavier’ e ’Nosso Lar’ fizeram com o público. Entretanto, esse filme tinha algo curioso em relação a adaptação, pois “O Livro dos Espíritos”, obra literária, é um grande questionário que lança as bases do pensamento Espírita. Não há uma trama, nem personagens a serem adaptados. Não há antagonistas e protagonistas; não há, enfim, dramaturgia. Neste aspecto, o roteiro de André Marouço (também produtor e codiretor do filme, ao lado de Dubret) saiu-se com uma boa solução: criar uma série de situações e personagens, que não estão no livro, que tivessem dúvidas semelhantes às que, estas sim, constam na obra de Allan Kardec.

Quase tudo é centralizado em Bruno (Reinaldo Rodrigues), um homem amargurado que não consegue entender por que Deus levou sua esposa tão jovem. Desesperado, ele se entrega ao alcoolismo, ao mesmo tempo em que se envolve com um ex-professor que tentará lhe ajudar. O psiquiatra Levy (Nelson Xavier). É no entrelaçamento destes e de outros personagens secundários que se agregarão à trama que as perguntas e respostas do ‘O Filme dos Espíritos’ serão desenvolvidas.

Questão do roteiro resolvida, surge o problema da direção. E é neste ponto que o filme escorrega. Pois o estilo de direção adotado em ‘O Filme dos Espíritos’ se reveste de um caráter solene que afasta os personagens da narrativa realista. Recorrentes a alguns vícios de direção e interpretação tornam os personagens solenes e discursivos, longe da realidade, como se cada frase do filme viesse revestida da mais pura verdade absoluta, além de abusar absurdamente dos efeitos sonoros para dar um clima de tensão. Mesmo com um elenco que conta com Nelson Xavier, Ana Rosa e Ênio Gonçalves, o filme ainda deixa a desejar.

É uma tentativa de ser didático e – pior – catequético – que comete o pecado de criar um abismo entre tela e plateia. Consequentemente, o filme tende a ser aceito pelos seguidores da doutrina, e rejeitado pelos não seguidores, sem conseguir saudáveis meios termos.

Como resultado ‘O Filme dos Espíritos’, ainda que tecnicamente coreto, acaba deixando um sabor de propaganda institucional, seja da doutrina Espírita ou seja das Casas André Luiz, entidade diretamente ligada à produção.








Título original: (O Filme dos Espíritos)
Lançamento: 2011 (Brasil)
Direção: André Marouço e Michel Dubret
Roteiro: André Marouço
Duração: 98 min.
Gênero: Drama
Estúdio: Mundo Maior Filmes
Distribuidora: Paris Filmes
Classificação: 12 anos



Elenco:

Reinaldo Rodrigues (Bruno)
Nelson Xavier (psiquiatra Levy Rivail)
Alethea Miranda (Marina)
Ana Rosa (Gaby Rivail)
Sandra Corveloni
Ênio Gonçalves (Antonio)


Curiosidades

- ‘O Filme dos Espíritos’ foi inspirado na obra "O Livro dos Espíritos" (1857), de Alan Kardec;

- A data de estreia no mês de outubro foi em comemoração ao aniversário do autor;

- A produção do longa nasceu a partir do Projeto Mundo Maior de Cinema, concurso que recebeu em 2009 cerca de 100 roteiros de curtas, de diferentes regiões do país, dos quais oito foram selecionados e produzidos. A etapa final do projeto foi à criação de um longa com uma trama que reunisse trechos dos curtas realizados;

- Esse processo, de certa forma, simula o que chegou a ser feito por Chico Xavier e Waldo Vieira em alguns de seus livros, entre eles “Evolução em Dois Mundos”, quando cada um deles psicografava um capítulo em diferentes lugares e formando apenas um livro;

- ‘O Filme dos Espíritos’ foi rodado, praticamente em São Paulo, além de Atibaia, Araçoiaba da Serra, Ubatuba, mas existiram locações em Cajazeiras (Paraíba);

- A produtora Mundo Maior Filmes é uma unidade da Fundação Espírita André Luiz;

- Existem vários títulos nacionais sobre o tema espiritismo. Entre os mais recentes figuram ‘Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito’ (2008), ‘Chico Xavier - O Filme’ (2010), ‘Nosso Lar’ (2010), ‘As Cartas Psicografadas por Chico Xavier’ (2010) e ‘As Mães de Chico Xavier’ (2011);

- Estreia de Reinaldo Rodrigues como ator no cinema;

- A apresentadora e ex modelo Luciana Gimenez faz sua segunda participação, agora maior, como atriz, A primeira foi em ‘Xuxa e os Duendes’ (2001);

- Inicialmente, o papel de Roseli, vivido por Gimenez, seria de Regina Duarte, que não aceitou o convite devido a outros compromissos assumidos na época;

- É o terceiro filme sobre o tema espírita em que o ator Nelson Xavier trabalha. A diferença é que nos outros dois ‘Chico Xavier - O Filme’ e ‘As Mães de Chico Xavier’ ele interpretava o famoso médium brasileiro e neste de agora ele faz o psiquiatra Levy;

- A atriz Ana Rosa também participou de outros três títulos com o mesma tema: ‘Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito’, ‘Chico Xavier – O Filme’ e ‘As Mães de Chico Xavier’;

- A atriz Briza Menezes, que interpreta a personagem Luisa, rodou um curta chamado ‘Além da Janela’, vencedor do prêmio Melhor Roteiro na I Mostra Mundo Maior de Cinema. Com isso, ela ajudou também no roteiro de ‘O Filme dos Espíritos’.

domingo, 22 de janeiro de 2012

‘Assalto Ao Banco Central’

Não, não dá para acreditar que a produção nacional de filmes continue tentando imitar as produções hollywoodiana, mas infelizmente isso acontece da pior maneira possível no longa ‘Assalto Ao Banco Central’ do diretor Marcos Paulo. Só que mais uma vez o cinema nacional tenta provar que também pode fazer subprodutos de Hollwyood com qualidade. Mas não, não consegue! O trailer ainda prometia algo tão grandioso quanto o roubo que aconteceu em Fortaleza, em 2005. Era um vídeo cheio de firulas, que dividia a tela entre os vários personagens que participaram do assalto ou estavam envolvidos na sua investigação. Estão lá também as piadinhas, as falas de efeito e uma trilha sonora que só aumenta a tensão. Propaganda enganosa!

Barão (Milhem Cortaz) teve a grande ideia de ganhar muito dinheiro em pouco tempo ao cometer o crime perfeito, sem violência. Para tanto basta arrumar as pessoas certas, dispostas a receber R$ 2 milhões, botar o plano em prática e executar a façanha. Após cerca de três meses de operação, R$ 164,7 milhões foram roubados do Banco Central, em Fortaleza, no Ceará. Sem dar um único tiro, sem disparar um alarme, os bandidos entraram e saíram por um túnel de 84 metros cavado sob o cofre, carregando três toneladas de dinheiro. Foi o segundo maior assalto a banco do mundo.

O experiente ator Marcos Paulo estreando na direção de um longa-metragem realmente não deu muito certo, pelo menos não dessa vez, o filme tem as mesmas fraquezas que muitos blockbusters norte-americanos recentes: perfeição técnica, debilidade dramática. Um time técnico qualificado tenta dar ares de superprodução e não consegue disfarçar a falta de ritmo, o desenvolvimento pobre dos personagens e os exageros do filme.

O roteiro e as sequencias já são cruéis para nós cinéfilos, mas o elenco foi um banho de água fria, além de Lima Duarte e Giulia Gam,o que se vê ou o que se sente é uma enorme, tortura, isso mesmo, não é exagero nenhum, para começar temos como “protagonista” o sempre irritante e inútil Milhem Cortaz (o Capitão Fábio de ‘Tropa de Elite’). Ele tentando dar uma de gangster sangue frio e cruel chega a doer, cada cena com a sua presença é sufocante, não sai do lugar não se esforça momento algum para pelo menos se interagir com seu personagem.

Quem tenta e até consegue roubar a cena em alguns momentos é Gero Camilo e Tonico Pereira, os dois consegue em partes tirar um sorriso do espectador e nada mais que isso. Mais um nome que não pode ser esquecido e quem sofre mesmo nessa bomba é de Hermila Guedes, grande atriz que protagoniza momentos constrangedores, é irritante ver cada minuto em cena com ela, e o pior de tudo é que ela é uma das principais na trama.

‘Assalto ao Banco Central’ talvez até tentou usar como referência o cinema de Tony Scott (Incontrolável), conhecido pelo clima absurdo de adrenalina, poucos recursos de efeitos especiais, habilidade em grudar o espectador na cadeira e só largá-lo no fim da sessão. Mas passou bem longe mesmo.

Para dar agilidade, o longa tenta consertar tudo na montagem alternada entre o bando de assaltantes e os policiais da investigação. Desgaste puro que corrói qualquer identificação com os personagens. Os diálogos pomposos e cheios de efeito não ajudam nem as interpretações do delegado Chico (Lima Duarte).

Também não ajuda a trilha sonora, que força o espectador a sentir momentos chaves. Como se a própria câmera, os diálogos, as interpretações e o desenvolvimento do enredo não fossem suficientes, a música é pleonástica: ora escrita com exagera, ora mal utilizada pela direção.

‘Assalto ao Banco Central’ mostra que o cinema brasileiro ainda não dominou a feitura de subprodutos de ação e nem sequer chega perto de ser considerado um entretenimento de qualidade.


Nota: 2
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‘Assalto Ao Banco Central’




Título original: (Assalto ao Banco Central)
Lançamento: 2011 (Brasil)
Direção: Marcos Paulo
Roteiro: Renê Belmonte, com colaboração de Lúcio Manfredi e pesquisa de Taís Moreno, baseado em argumento de Antônia Fontenelle
Duração: 104 min.
Gênero: Ação
Estúdio: Total Entertainment
Distribuidora: Fox Filmes do Brasil


Elenco

Milhem Cortaz (Barão)
Hermila Guedes (Carla)
Giulia Gam (Delegada Telma Monteiro)
Lima Duarte (Delegado Chico Amorim)
Tonico Pereira (Doutor)
Gero Camilo (Tatu)
Mílton Gonçalves (Pastor)
Cássio Gabus Mendes (Martinho)
Eriberto Leão (Mineiro)
Vinícius de Oliveira (Devanildo)
Heitor Martinez (Léo)
Cadu Fávero (Firmino)
Fábio Lago (Caetano)
Juliano Cazarré (Décio)
Antônio Abujamra (Moacir)
Creo Kellab (Saulo)
Antônia Fontenelle (Regina)
Marcello Gonçalves (Róbson)
Jorge Medina (Vágner)


Curiosidades

- Baseado no roubo de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza (CE), em 2005, o segundo maior do gênero até então e onde os ladrões cavaram um túnel de cerca de 80 metros de comprimento;

- Enquanto Lima Duarte afirmou ter buscado inspiração nos filmes noir, Giulia Gam se disse fã dos seriados "Law & Order";

- ‘Assalto ao Banco Central’ é dos mesmos produtores de ‘Se Eu Fosse Você’ e ‘Divã’;

- Estreia do ator e diretor de televisão Marcos Paulo como cineasta.

- A atriz Antônia Fontenelle é a atual namorada do diretor e também faz sua estreia no cinema;

- O ator Milhem Cortaz emendou o filme logo após ‘Tropa de Elite 2’ e afirmou ter gostado da experiência de fazer um personagem mais contido e que fala pouco;

- Todos os personagens da trama foram criados para o filme;

- O total de 11 elementos na quadrilha (dez homens e uma mulher) é alusivo ao sucesso ‘Onze Homens e Um Segredo’, só que a versão brasileira dos bandidos é totalmente desprovida de glamour;

- ‘Assalto ao Banco Central’ tem locações nos estados do Ceará e Rio de Janeiro, no Brasil;

- Foi rodado entre os dias 26 de abril e 3 de junho de 2010;

- Para representar a casa do assaltante Mineiro (Leão) em Fortaleza, foi usado o Colégio Sagrado Coração de Jesus, no Alto da Boa Vista, espaço desativado no Rio de Janeiro;

- Com orçamento estimado em R$ 6.5 milhões, o longa teve 10% do montante financiado pelo governo do Ceará.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

'O Homem do Futuro'

As produções nacionais quando quer fazer direito, faz muito bem feito. Com certo tom de filme americano produzido fora de Hollywood, com suas virtudes e defeitos ‘O Homem do Futuro’ é um exemplo vivo de que filmes nacionais não precisam de violência ao extremo e muitos palavrões. Mesmo sendo uma Comédia Romântica bem previsível, o longa do diretor Claudio Torres não deixa a desejar em momento algum.

A história é focada em Zero (Wagner Moura), ele é um cientista amargurado pela humilhação sofrida pelo amor de sua vida, Helena (Alinne Moraes), quando ainda estavam na faculdade. Acidentalmente ele cria uma máquina do tempo e vai parar em 22 de novembro de 1991, à data da festa onde foi humilhado e respectivamente a data exata em que sua vida começou a ruir. Ele aproveita a oportunidade para encontrar sua versão mais jovem, de forma a ajudá-la a se tornar uma pessoa bem sucedida, e com Helena, no futuro. Zero retorna ao presente totalmente modificado e percebe uma realidade a qual não acreditava ser possível.

Pensou ou lembrou em ‘De Volta Para o Futuro’? Bom, não foi à toa, já que algo parecido acontece com Marty McFly em suas corridas pelo tempo a bordo do famoso Delorean. Não é a única semelhança. A primeira versão de Zero tem um ar de cientista maluco que lembra o Doc Brown de Christopher Lloyd, (só que mais raivoso). O longa dirigido por Robert Zemeckis nitidamente serviu como fonte de inspiração, também por ter se tornado o filme padrão quando se pensa em viagens no tempo. Nada mais natural, o cinema está repleto de citações e homenagens, intencionais ou não.

Wagner Moura como sempre está perfeito em seu papel, mas ah cada expressão de raiva do ator é impossível não lembrar do seu anti-heroi de ‘Tropa de Elite 1 e 2’. Wagner Moura por vezes exagera intencionalmente nos trejeitos de forma que o espectador consegue se identificar, de imediato, qual versão de Zero está em cena naquele momento. Um belo trabalho acompanhado pela linda Alinne Moraes, que, se não brilha tão intensamente, compõe bem o misto da sua beleza e espanto exigido de sua personagem. Por outro lado, há também a péssima atuação de Fernando Ceylão, sempre fora do tom em relação aos seus companheiros de cena. Mas, o que realmente deu muito certo foi à química entre Moura e Aline. O casal protagonista segura com perfeição o decorrer da trama.

O longa agrada em muitos detalhes, mas temos um tom de tortura ao ouvir Aline Morais destruir sem dó uma ótima música do Legião Urbana que sem dúvida, coube como uma luva para o filme. Duas participações especiais que não pode ser esquecido é de Maria Luísa Mendonça e alguns segundos de Gregório Duvivier, que vale a pena ser visto.

Posso afirmar que tudo é muito bem produzido, desde os competentes efeitos especiais até o grandioso cenário construído para o laboratório da máquina do tempo. O figurino ambientando os personagens dos anos 90 e também no futuro alternativo desenhado pelas mudanças provocadas por Zero é muito bem pensada. A trilha sonora é muito boa e bem pop, com destaque para “It’s the End of the World as We Know It (And I Feel Fine...)”, do R.E.M. e "Tempo Perdido" de Legião Urbana. Só que, por outro lado, o roteiro cai nos clichês das comédias americanas, com situações mal explicadas abandonadas no decorrer da trama. O uso da física como meio de provar a existência do amor dá uma falsa sensação de profundidade ao roteiro, apesar da mensagem final bem bacana sobre enfrentar as dificuldades da vida. Os furos presentes quando Zero retorna ao presente incomoda um pouco. As piadas funcionam tornando o longa ainda mais interessante, com uma ótima sequência de cenas.

O Diretor Claudio Torres, mais uma vez conseguiu agradar o espectador, depois do bom ‘Mulher Invisível’ seguida de uma minissérie dirigida por ele mesmo, ele agora mostra mais uma grande obra misturando ficção cientifica com o bom humor de comédia romântica. Para alguns pode até não agradar. Mas ‘O Homem do Futuro’ tem uma produção muito bem caprichada, bom ritmo de comédia romântica, e ostenta dignamente o enorme talento de Wagner Moura. Mas sem tirar o brilho de Alinne Moraes, uma presença linda, marcante, bem vista e bem-vinda no filme.

Recomendo!


Nota: 8



Título original: (O Homem do Futuro)
Lançamento: 2011 (Brasil)
Direção: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres
Produção: Tatiana Quintella e Cláudio Torres
Duração: 106 min.
Gênero: Comédia Romântica/Ficção Cientifica
Estúdio: Conspiração Filmes / Paramount Pictures / Globo Filmes / TeleImage
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil


Elenco:

Wagner Moura (Zero)
Alinne Moraes (Helena Hope)
Maria Luísa Mendonça (Sandra)
Gregório Duvivier (Pedestre)
Fernando Ceylão (Otávio)
Jean Pierre Noher (Mayer)
Gabriel Braga Nunes (Ricardo)
Rodolfo Bottino


Curiosidades:

- 'O Homem do Futuro' foi o último filme contemplado no segundo Edital de 2009 e recebeu aporte de R$ 1.4 milhão;

- As filmagens duraram cerca de cinco semanas e foram usadas locações em Paulínia, Campinas, ambas em São Paulo, e no Rio de Janeiro;

- Durante as filmagens em Paulínia a equipe de produção (cerca de 100 pessoas) teve que se dividir, hospedando-se também em Campinas por falta de hotéis;

- Para a sequência de uma festa do filme foram selecionados mais de 400 figurantes;

- 'O Homem do Futuro' teve orçamento estimado de R$ 7 milhões;

quinta-feira, 28 de julho de 2011

VIPs

O filme nacional ‘VIPs’ pode até ter sido o grande vencedor do Festival do Rio do ano passado, onde levou os prêmios de Melhor Ficção, Direção, Montagem, Ator (Wagner Moura), Ator Coadjuvante (Jorge D'Elia) e Atriz Coadjuvante (Gisele Fróes). Esse é o primeiro longa do diretor Toniko Melo. Mas na minha opinião esse é só mais um longa nacional que deve cair fácil no esquecimento do espectador.

O longa mostra a história de Marcelo Nascimento da Rocha (Wagner Moura), conhecido no Brasil todo, quando enganou o apresentador Amaury Junior, fazendo-se passar por Henrique Constantino, filho do dono da Gol, num Carnaval fora de época no Recife, em 2001. Ele chegou a transportar algumas pessoas, inclusive o ator Ricardo Macchi, em um jatinho de outra pessoa influente. Porém, pouca gente sabe que Marcelo Nascimento da Rocha já tinha fingido ser piloto de avião, membro da banda Engenheiros do Hawaii e, depois de preso, líder do PCC.

O ponto de partida do personagem de Wagner Moura é muito bom, todo o elenco ta de parabéns, mas nem direção e nem roteiro consegue entrar em acordo ao decorrer de toda a trama. O fato do diretor se inspirar na ficção e deixando a história real de lado acaba deixando o “baseado em fatos reais” confuso e estranho, ele transforma o golpista em outro personagem a cada sequência do longa e acaba que nos contando uma história diferente do que já é esperado.

Sem dúvida alguma que Wagner Moura merece toda atenção desse longa por mais fraco que seja, ele consegue dominar o personagem que até esquecemos que o mesmo já foi um policial mais que durão no perfeito ‘Tropa de Elite’. Mas esse roteiro está fraco demais. Essa segunda estória prefere atribuir suas mentiras a algum tipo de distúrbio ou perturbação anterior de menor importância para a história. Pincela aqui e ali uma psicologia de botequim, mas este não é o foco do trabalho. Marcelo não chega a ser um vilão. Ele não seria imoral, mas amoral, mesmo porque estes conceitos são cada dia menos definíveis. O importante é que o personagem é convincente em certo ponto, mas infelizmente não consegue ter o carisma necessário para que seja criada a tão necessária empatia com o público.

Particularmente, esperava muito mais desse longa que tanto foi aclamado pelo publico e por alguns críticos, mas o fato é que ‘VIPs’ é fraco, monótono, ah história (ou estória), não anda em momento algum. Não recomendo esse que sem dúvida não deve ser conferido.


Nota: 4
Download:
‘VIPs’



Título original: (VIPs)
Lançamento: 2011 (Brasil, EUA)
Direção: Toniko Melo
Roteiro: Bráulio Mantovani e Thiago Dottori, baseado em livro de Mariana Caltabiano
Produção: Fernando Meirelles, Paulo Morelli e Bel Berlinck
Duração: 96 min.
Gênero: Drama
Estúdio: O2 Filmes / Focus International
Distribuidora: Universal Pictures


Elenco:

Wagner Moura (Marcelo)
Gisele Fróes (Sílvia)
Juliano Cazarré (Banã)
Jorge D'Elia (Patrão)
Norival Rizzo
Roger Golbeth
Arieta Corrêa
Amaury Jr.


Curiosidades:

- Primeiro filme de Toniko Melo, publicitário premiado, sozinho na direção. Seu outro longa, 'Som e Fúria' (2008), foi dirigido em parceria com Fernando Meirelles;

- Wagner Moura teve aulas de aviação para protagonizar VIPs;

- Fernando Meirelles (Cidade de Deus) é um dos produtores do filme;

- 'VIPs' foi exibido no Festival do Rio e faturou cinco prêmios, entre eles, de Melhor Filme;

- O filme é baseado no livro “Vips - Histórias Reais de um Mentiroso”, de Mariana Caltabiano, diretora de 'Brasil Animado' (2011) e do documentário 'VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso', exibido no Festival do Rio 2010;

- Marcelo Nascimento Rocha é um criminoso que ficou célebre por se fazer passar por várias pessoas, entre elas um dos donos da companhia de aviação Gol e até um dos líderes da facção criminosa PCC;

- Quando rodavam em Pindamonhangaba, São Paulo, a produção selecionou cerca de 200 figurantes para participar da filmagem.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cilada.com

O mais novo longa nacional ‘Cilada.com’ é dirigido por José Alvarenga Jr. O mesmo diretor do ótimo ‘Os Normais 1 e 2’, mas é aquilo: o que adianta ser um bom diretor se o roteirista não ajuda... E vice versa.

Infelizmente a adaptação da série ‘Cilada’ não é nem um pouco parecida com a original, pouco humor e uma história fraca que em momento algum se esforça para agradar. Bem ao contrário da série de TV, esta versão em tela grande não é baseada em experiências da vida de Bruno Mazzeo, o autor: após ser flagrado traindo sua mulher, Bruno (Bruno Mazzeo), é surpreendido quando chega ao trabalho, no dia seguinte, e descobre que sua namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme), colocou no YouTube um vídeo íntimo do casal, com o agravante de ele ter tido um desempenho ruim no sexo. Humilhado por praticamente todo mundo que vive na cidade (e que parece ter visto o vídeo), Bruno resolve ir atrás das ex-namoradas e de outras mulheres disposto a recuperar a dignidade como homem, ao mesmo tempo em que não esquece Fernanda e tenta reatar com ela, mas esbarra na sua incapacidade em dizer “eu te amo” para a moça, sempre a espera.

Porém, as diferenças não param por aí: menos ácido do que de costume, Bruno está muito mais vulnerável, sendo mais um coitado digno de pena do que um sarcástico alheio ao que está ao seu redor – ele literalmente quebra a cara o filme todo, metendo-se em poucas “ciladas”, só piorando aquilo que queria consertar, ou seja, quem for realmente fã e esperar ver uma coisa, vai encontrar outra, o que é um problema para o filme.

Em outras palavras eu diria que o filme é mera propaganda enganosa. O gênero do filme que está classificado como comédia, não passa de uma mera e fraca comédia romântica. A traição feita pelo personagem de Bruno Mazzeo por si só, já poderia deixar Fernanda com raiva o suficiente para ela não querer voltar para Bruno, tornando a escolha dessa trava no personagem não só boba, como desnecessária. Mas a história começa a ficar forçada demais com o decorrer da trama. Se o longa tivesse pelo menos os personagens feitos pelo próprio Mazzeo na série original, talvez seria melhor.

O roteiro é até agradável, assinado pelo próprio Bruno Mazzeo, mas já é a segunda vez que vejo um filme com o roteiro dele, e começo a achar que seria muito melhor se ele deixasse isso de lado, pois como roteirista, Bruno é um ótimo ator e humorista.

O filme não é de todo mal, mas pode ter certeza que passado alguns dias vai ser impossível lembrar de algum fato do filme. E não é porque quem assistiu e não gostou (como eu) não prestou atenção ou precisa tomar um pouco de fosforol. Mas é que existe um tipo de filme que não acredita na imagem, e ‘Cilada.com’ é um deles.

Um filme tipicamente brasileiro. Não devido à língua falada ou aos métodos de produção aplicados, mas pelo ambiente abordado. É o clássico universo machista ressaltado pela figura do homem que não aceita ter seu orgulho ferido. Tudo apimentado pela zoação básica, aquelas brincadeiras por vezes inconvenientes mas que provocam gargalhadas vindas de seus próprios colegas e que, no fim das contas, faz parte da própria amizade. Característica cultural do brasileiro, ampliada pela liberdade em se falar sobre sexo presente.

‘Cilada.com’ é um filme razoável que explora o politicamente incorreto, especialmente no modo como trata as mulheres. O roteiro sofre uma queda na segunda metade, especialmente pela presença de algumas piadas. Destaque para as boas presenças de Carol Castro e Dani Calabresa, ótimas em cena, além de duas cenas marcantes: a ligação entre sexo e futebol, representada em uma partida do Vasco, e a declaração final, bonita e emocionante.

Mas o filme deixou o final em aberto. Só resta esperar se vem uma continuação e se vier que seja melhor.


Nota: 5



Título original: (Cilada.com)
Lançamento: 2011 (Brasil)
Direção: José Alvarenga Jr.
Roteiro: Bruno Mazzeo e Rosana Ferrão, com colaboração de Marcelo Saback e José Alvarenga Jr.
Duração: 95 min.
Gênero: Comédia
Estúdio: Casé Filmes / Globo Filmes / Multishow / Telecine / Teleimage
Distribuidora: Downtown Filmes / Paris Filmes / Riofilme


Elenco:

Bruno Mazzeo (Bruno)
Fernanda Paes Leme (Fernanda)
Thelmo Fernandes(Gerson)
Fabiula Nascimento (Suzy)
Milhem Cortaz ()
Sérgio Loroza (Marconha)
Augusto Madeira (Sandro)
Fulvio Stefanini (Executivo)
Carol Castro (Mônica)
Dani Calabresa (Regina Kelly)
Alexandre Nero (Ferrari)
Marcos Caruso
Luís Miranda
Karla Karenina
Rita Elmôr
Ana Paula Bouzas
Maíra Charken
Miá Mello
Rafaela Amado
Débora Lamm
Letícia Isnard
Aninha Lima
Aramis Trindade
Eliene Narducci
Fernando Caruso
Leandro da Matta


Curiosidades:

- Adaptação da série homônima exibida na tv por assinatura;

- Filmado inteiramente no Rio de Janeiro;

- As filmagens começaram em 1º de outubro de 2010 e duraram quatro semanas;

- 'Cilada.com' contou com a participação de cerca de 63 atores;

- Do mesmo diretor de 'Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas' e 'Divã';

- Traz uma gravação inédita de Lobão para sua canção "Por Tudo o Que For";

- O orçamento foi de R$ 5,5 milhões.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Muita Calma Nessa Hora

Muita calma, muita paciência e muito saco. É tudo que você precisa para assistir ao longa ‘Muita Calma Nessa Hora’, o próprio nome já te alerta, realmente é preciso ter muita calma mesmo para poder assistir mais essa produção nacional que nem ao menos se esforça para envolver algo interessante na trama ou ao menos torna a trama interessante.

Logo nos primeiros minutos, o filme te apresenta o trio Tita (Andréia Horta), Mari (Gianni Albertoni) e Aninha (Fernanda Souza), elas são grandes amigas que enfrentam momentos de decisão em suas vidas. Decididas a relaxar, elas partem para curtir um fim de semana em Búzios. No caminho encontram com Estrella (Débora Lamm), uma hippie a quem dão carona e que está atrás de seu pai desaparecido.

Até parece interessante, além do elenco trazer grandes nomes como Lucio Mauro, Laura Cardoso, entre humoristas como: Leandro Hassum, Marcel Adnet e Bruno Mazzeo –que também assina roteiro – mas para piorar ainda mais a situação o elenco tem presença de Sergio Malandro e Dudu Azevedo como um dos principais. Não sei onde virão talento nesse tal Azevedo que não se esforça em momento algum para entrar no personagem. Em outras palavras, isso é a única coisa que esse “ator” sabe fazer de melhor, atuar muito mal é com ele mesmo.

‘Muita Calma Nessa Hora’ é mais um filme que traz ingredientes para engrossar uma importante discussão: o que é cinema popular? Porque o filme não anda, ele termina onde começou, é uma certa comédia que não quer se levar a sério e abusa dos clichês em todos os personagens. Mais um filme nacional que infelizmente não agrada, vai cair facilmente no esquecimento de todos que assistirem, e logo mais será lembrado por 92 minutos, quando for passar em uma futura Tela Quente que todos conhecem.

O longa é fácil de comparar com um episódio estendido de série televisiva com pouco diálogo com o cinema, seja ele com pretensões de falar a um milhão de pessoas ou a mil. Faltam personagens, a história é interrompida a cada 15 segundos por opção de uma montagem doentiamente fragmentada, o riso que diverte não consegue nos fazer olhar paras as situações e rirmos de nós mesmos. ‘’Muita Calma Nessa Hora’ consegue no máximo ficar no meio do caminho: um besteirol que se parece mais com uma propaganda das belezas de Búzios com dramaturgia de Malhação.

É mais um filme que não recomendo, e só recomendo que esperem ele passar na televisão, não vale a pena gastar menos de 10 reais em um DVD pirata ou mais de 20 reais em um DVD ou Blue-Ray.


Nota: 3
Download: ‘Muita Calma Nessa Hora’



Título original: (Muita Calma Nessa Hora)
Lançamento: 2010 (Brasil)
Direção: Felipe Joffily
Roteiro: Bruno Mazzeo, João Avelino e Rosana Ferrão, baseado em argumento de Rik Nogueira e Augusto Casé.
Duração: 92 min.
Gênero: Comédia
Estúdio: Casé Filmes / Idéias Ideais
Distribuidora: Europa Filmes / Riofilme


Elenco:

Laura Cardoso (Abuelita)
Louise Cardoso (Mãe de Aninha)
Thelmo Fernandes (Pescador)
Sérgio Mallandro (Tatuador)
Bruno Mazzeo (Vítor)
Andréia Horta (Tita)
Gianni Albertoni (Mari)
Fernanda Souza (Aninha)
Débora Lamm (Estrella)
Lúcio Mauro (Mascarenhas)
Marcelo Tas (Pai de Aninha)
Ellen Rocche (Verônica)
Maria Clara Gueiros (Rita)
Marcelo Adnet (Augusto Henrique)
Dudu Azevedo (Juca)
Luís Miranda (Buba)
Nelson Freitas (Pablo)
Lúcio Mauro Filho (Playboy)
Leandro Hassum (Policial militar)
Marcos Mion (Cebola)
André Mattos (Revolucionário)
Heloísa Périssé (Esotérica)
Creo Kellab (Atendente de restaurante)


Curiosidades:

- É o segundo filme dirigido por Felipe Joffily. O anterior foi ‘Ódiquê?’ (2004);

- Dudu Azevedo, intérprete de Juca em ‘Muita Calma Nessa Hora’, trabalhou com o diretor Felipe Joffily em ‘Ódiquê?’ (2004);

- Na cena da festa um dos personagens é visto usando uma camisa de’ Ódiquê?’, filme anterior do diretor Felipe Joffily;

- O orçamento foi de R$ 2 milhões.

sábado, 2 de julho de 2011

Federal

Os filmes nacionais estão em alta e ninguém pode negar isso, e nos últimos anos tivemos ótimos filmes que fizeram um sucesso estrondoso. Mas infelizmente, para agradar o espectador só se tiver favela, bandido e muito tiroteio entre polícia e traficante. Ta certo, é a nossa realidade, e o longa ‘Federal’ mostra isso tudo de uma forma diferente. Mas esse não teve tanto sucesso pelo fato do fenômeno ‘Tropa de Elite’, e muitos que viu esse longa não gostaram.

Mas vamos fazer jus em defesa desse filme. Vale ressaltar que essa produção é de 2001, bem antes do primeiro ‘Tropa de Elite’ sair do papel. ‘Federal’ ta longe de ser um filme de ação , e esse retrata o problema com o tráfico em Brasília e a forma como a mesma chega no país. Enfim, não é um filme tão violento, é lento e deixa a desejar nas cenas rápidas, a história em si é boa, porém, muito fraca.

A trama mostra Vital (Carlos Alberto Riccelli), um delegado da polícia federal brasileira, que lidera um grupo especial de investigação que tem por objetivo capturar o traficante de drogas internacional Béque Batista (Eduardo Dussek). Outros três policiais compõem o grupo: Dani (Selton Mello), Rocha (Cristovam Netto) e Lua (Cesário Augusto). Paralelamente, Vital precisa cuidar de Leila (Analu Silveira), sua esposa grávida, e faz de tudo para que ela não participe do mundo violento no qual vive.

Logo de início de ‘Federal’, já se tem uma ideia do que está por vir: um grupo de policiais investiga o massacre de uma família, percebe-se claramente que o sol está a pino pelas sombras das árvores. Corta. E já vemos os mesmos policiais na mesma sequência no mesmo momento, que estão banhado pelo típico sol alaranjado de final da tarde. Será mero detalhe de falta de continuidade na fotografia? Talvez. Mas isso é só o começo de um filme cheio de problemas que não se da nem ao trabalho de esconder.

Mas o maior problema de tudo está no roteiro, os atores em momento algum se esforça para dar uma credibilidade certa ao filme, isso porque no elenco temos nomes como de Selton Mello, que ao meu ver, foi o único que em algumas cenas tentava mostrar um pouco de atuação, e o americano Michael Madsen, que também não fez diferença alguma em todo o longa.

(Para quem não se lembra de Michael Madsen, ele foi irmã de Bill (David Carradineem), em ‘Kill Bill’).

Por fim, pelo fato de não obter uma montagem hábil o suficiente nas cenas de lutas e perseguições, ‘Federal’ não convence mesmo como um filme de ação. E o elenco, por melhor que seja, não parece à vontade em momento algum.

Não Recomendo!


Nota: 4
Download: 'Federal'



Título original: (Federal)
Lançamento: 2010 (Brasil, França, Colômbia)
Direção: Erik de Castro
Roteiro: Érico Beduschi, Erik de Castro e Heber Trigueiro, baseado em argumento de Erik de Castro
Duração: 92 min.
Gênero: Drama
Distribuidora: Europa Filmes


Elenco:

Carlos Alberto Riccelli (Vital)
Selton Mello (Dani)
Michael Madsen (Sam Gibson)
Cesario Augusto (Lua)
Cristovam Netto (Rocha)
Eduardo Dussek (Béque Batista)
Carolina Gómez (Sophia)
Roberto Cano (Matias)
Flávio Cardoso (Vaz)
Adriano Siri (Gallo)
Similião Aurélio (Ciro)
Analu Silveira (Leila)
Solande DeBarros (Paula)


Curiosidades:

- O roteiro de Federal foi selecionado para o 5º Laboratório de Roteiros de Sundance/Riofilme de 2001;

- O filme foi rodado em 2006;

- Seu orçamento foi de R$ 5 milhões.

- Estreia de Erik de Castro, do documentário Senta Pua!, na direção de um longa de ficção;

- O título Federal é uma referência a Brasília, capital do país, e também à Polícia Federal, que lidera a força tarefa da história;

- O diretor Erik de Castro participou de algumas rondas de carro com grupos de investigação, no intuito de sentir o clima dos policiais e perceber como eles se comportavam naquela situação;

- Inicialmente, a intenção era que Forest Whitaker interpretasse o personagem Sam Gibson. Após o fracasso nas negociações, Michael Madsen foi contratado para o papel;

- A ideia de escalar o cantor Eduardo Dussek como o vilão Béque Batista foi do diretor Erik de Castro, que o viu interpretando na novela "Xica da Silva";

- Carolina Gómez, que interpreta Sophia, , uma diplomata venezuelana, foi Miss Colômbia;

- O elenco recebeu treinamento de agentes do Comando de Operações Táticas (COT), da Polícia Federal;

- Trabalharam nos efeitos especiais os americanos Giuliano Fiumani e George Zamora, dupla de Homem-Aranha,Batman Eternamente e Velozes e Furiosos, e Allen Hall (Piratas do Caribe 2);

- Sérgio Farjalla e Alex Aquino foram os responsáveis pela coordenação dos dublês e pelo fornecimento de armas e festins para as filmagens;

- A música A Onda, do grupo brasiliense Plebe Rude, tem versão especial para o longa;

- Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2010;

- Para montar as cenas de perseguição policial, contou com a consultoria do mago dos efeitos especiais de Hollywood, Allen Hall (Piratas do Caribe 2).

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Bruna Surfistinha

Para quem espera um filme com muito sexo e nudez, vai encontrar em ‘Bruna Surfistinha’, claro, afinal, é a história da garota de programa mais famosa do país.

Mas ótimo filme, que realmente é ousado, sem ser explicito, um ótimo roteiro, muito bem amarrado, que trata o difícil tema da vida de uma simples garota que resolve se envolver na prostituição, vale a pena ser conferido mesmo.

Um filme com muito sexo e drogas que não se deu ao luxo de cair na baxaria, que com certeza foi visto por maus olhos de alguns (até por mim), mas o longa não tem nada disso, muito menos de exploração fácil e da nudez da belíssima Deborah Secco, que mostrou uma atuação impecável. ‘Bruna Surfistinha’ é um filme digno, verdadeiramente profissional. Muito bem elaborado em todos os sentidos e tecnicamente não só a atuação de Deborah, como de todo o elenco.

Para quem leu o livro O Doce Veneno do Escorpião, não deve ter tido nenhuma surpresa na adaptação, o longa acompanha a história de Raquel (Deborah Secco), uma garota de clase média paulista, igual a milhões de outras, que decide abandonar a família careta para se tornar uma prostituta. Além de ser muito mais bonita que a média, a menina logo descobre como agradar aos homens que, além de sexo, querem ser ouvidos e, se possível, amados. Utilizando seus talentos e inovando na internet. A ascensão de Raquel – que usa Bruna como nome de guerra – é sem dúvida nenhuma, meteórica!

‘Bruna Surfistinha’, realmente consegue ser um filme impecável. Uma boa abordagem do tema à fotografia, da trilha sonora ao roteiro, do elenco à toda montagem. O longa consegue chamar a tenção não só pela nudez, como já disse antes, é ousado sem ser apelativo, a nudez é usada mas sem se deixar levar para baixaria e tem estética de um filme para cinema que felizmente não da aquele tom de televisivo. Nem ao menos parece filme de diretor estreante.

É mais um filme nacional que tenho muito orgulho de recomendar. Recomendo mesmo!


Nota: 9
Download 'Bruna Surfistinha'



Título original: (Bruna Surfistinha)
Lançamento: 2011 (Brasil)
Direção: Marcus Baldini
Roteiro: Antonia Pelegrinno, Homero Olivetto e José Carvalho, baseado em livro de Raquel Pacheco
Duração: 109 min.
Gênero: Drama
Distribuidora: Imagem Filmes


Elenco:

Deborah Secco (Raquel Pacheco / Bruna Surfistinha)
Drica Moraes (Larissa)
Fabiula Nascimento (Janine)
Cássio Gabus Mendes (Hudson)
Cristina Lago (Gabi)
Erika Puga (Mel)
Simone Illiescu (Yasmim)
Brenda Ligia (Kelly)
Juliano Cazarré (Gustavo)
Guta Ruiz (Carol)
Clarisse Abujamra (Celeste)
Luciano Chiroli (Otto)
Sérgio Guizé (Rodrigo)
Gustavo Machado (Miguel)


Curiosidades:

- 'Bruna Surfistinha' foi baseado no livro "O Doce Veneno do Escorpião", best-seller que vendeu cerca de 300 mil cópias no Brasil;

- Estreia de Marcus Baldini na direção de um longa-metragem;

- Inicialmente seria Karen Junqueira a intérprete de Bruna Surfistinha, mas o papel ficou com Deborah Secco;

- Foram nove e meia semanas de filmagens, entre outubro e dezembro de 2009;

- Em entrevista, Deborah revelou que as cenas de nudez, sexo, beijos em outra atriz, rebolado vulgar em balcão de bar, entre outras, não foram considerados desafios para ela, que considerou as cenas com uso de drogas muito mais complicadas pelo seu total distanciamento deste universo;

- A atriz não teve nenhum contato com a verdadeira Bruna Surfistinha antes do filme;

- Em entrevista Drica Moraes revelou que rodou o filme com leucemia, apesar de não saber ainda da doença. Ela passou mal por vários dias e foi diagnosticada apenas após o término das filmagens;

- A cobertura onde Bruna Surfistinha e suas colegas de trabalho moravam ficava na Cracolândia, na cidade de São Paulo, em um prédio de 12 andares que não tinha eletricidade;

- A trilha sonora inclui músicas das bandas paulistanas Cansei de Ser Sexy e Groove Armada;

- Raquel Pacheco, a verdadeira Bruna Surfistinha, aparece em uma ponta como a garçonete na cena em que Bruna e Hudson jantam fora;

- O lançamento nos cinemas seria em julho de 2010, sendo adiado para 25 de fevereiro de 2011;

- Levou 400.412 pessoas aos cinemas em seu primeiro fim de semana. Trata-se da sétima melhor estreia de um filme brasileiro na história;

- Seu orçamento foi de R$ 6 milhões.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estômago

O primeiro longa do diretor Marcos Jorge, ‘Estômago’ não poderia ser melhor. Muito bom mesmo em todo sentido, um ótimo elenco e um roteiro brilhante que consegue contar com total clareza a história do personagem em dois momentos distintos que acaba, por vez, prendendo o espectador nessa bela comédia dramática.

Raimundo Nonato (João Miguel), é um nordestino que acaba de chegar na cidade grande em busca de uma vida melhor. Sem dinheiro nem lugar para morar, ele é contratado como faxineiro em um boteco, onde ele descobre que tem um dom para cozinhar. Com suas coxinhas ele transforma o bar em um grande sucesso. Giovanni (Carlo Briani), o dono de um conhecido restaurante italiano da região, o contrata como assistente de cozinheiro. A cozinha italiana é uma grande descoberta para Raimundo, que passa também a ter uma casa e roupas melhores, relacionamentos sociais e um amor: a prostituta Iria (Fabiula Nascimento), com quem ele passa a se envolver. Paralelamente, a vida do nordestino é mostrada na prisão, onde seu crime é revelado apenas nos últimos minutos.

João Miguel é um excelente ator, e mostrou ser um dos melhores de sua geração. As tramas são muito mais que envolvidas de forma tão atraente, que chega a ser impossível não se empolgar com os acontecimentos e a as narrativas feitas pelo protagonista. Os diálogos no longa é outro grande destaque, inteligente e engraçado, tornando-se mais ainda interessante.

Na mesma linha em que o protagonista transforma simples ingredientes em delicioso pratos, desta forma, se consegue ocupar um espaço de destaque em vários momentos do filme. ‘Estômago’ utiliza com grande perfeição elementos como fotografia, trilha e o já citado roteiro, que tem uma montagem digna de grandes filmes, e olha que estou falando de um filme nacional.

Recomendo mais esse grande longa-metragem nacional, reforçando, o que sempre digo nesses casos, o Brasil tem coisa boa na sétima arte, pois esse, é um grande filme de Marcos Jorge, onde ele conseguiu transformar elementos repugnantes, à primeira vista, num filme único e raro.

Nota: 9
Download: 'Estômago'.





Título original: (Estômago)
Lançamento: 2008 (Brasil, Itália)
Direção: Marcos Jorge
Roteiro: Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito, baseado em argumento de Lusa Silvestre e Marcos Jorge
Duração: 112 min
Gênero: Drama/Comédia
Distribuidora: Downtown Filmes


Elenco:

João Miguel (Raimundo Nonato)
Paulo Miklos (Etecetera)
Fabiula Nascimento (Iria)
Babu Santana (Bujiú)
Carlo Briani (Giovanni)
Zeca Cenovicz (Zulmiro)
Jean-Pierre Noher (Duque)
Marco Zenni (Vagnão)
Marcel Szymanski (Valtão)
Helder Clayton Silva (Seqüestro)
Alexander Sil (Lino)
Tino Viana (Guentai)
Sidy Correa (Boquenga)
Rodrigo Ferrarini (Magrão)
Marco Zenni (Vagnão)
Andrea Fumagalli (Francesco)
Luiz Brambilla (Lambari)
Dieizol Mottalvan Tuir
Ed Canedo
Adriano Carvalhaes
Nawbert Cordeiro
Vantuir Jorge
Altamar Cezar (Açougueiro)
Lilian Marchiori (Rita)
Alaor de Carvalho
Pedro Moreira (Edson - barmen)
Junior Costa
Max Olsen


Curiosidade:

- Estréia de Marcos Jorge como diretor de longa-metragens de ficção;

- O filme marca a utilização de um acordo de co-produção Brasil-Itália que existe desde 1974, mas que nunca havia sido utilizado. A produtora executiva Cláudia da Natividade levou um ano para elaborar e formalizar o contrato entre a brasileira Zencrane Filmes e a italiana Indiana Filmes;

- A história é inspirada no conto "Presos pelo Estômago", do livro "Pólvora, Gorgonzola e Alecrim", de Lusa Silvestre;

- As filmagens aconteceram durante 5 semanas, nas cidades de Curitiba e São Paulo. Toda a finalização do filme aconteceu na Itália, em Milão e Roma;

- Teve como locação o presídio do Ahú, em Curitiba;

- Como grande parte da história se passa dentro de uma prisão, Luís Mendes Jr. foi contratado como consultor de vida e comportamento no presídio. Ele entrou na prisão aos 19 anos, semi-analfabeto, e saiu 30 anos depois, como escritor e cronista afirmado;

- O filme ganhou prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor - Marcos Jorge, Melhor Ator Coadjuvante - Babu Santana e Melhor Roteiro Original, no Grande Prêmio Cinema Brasil;

- Exibido na mostra Première Brasil, no Festival do Rio 2007.

sábado, 29 de janeiro de 2011

5x Favela - Agora Por Nós Mesmos

O longa nacional ‘5x Favela – Agora Por Nós Mesmos’ é muito bom em partes, se não fosse pela sua trilha sonora que é um verdadeiro lixo, mas o que pode se esperar de um filme carioca né. O que se ouve durante o filme todo é só a porcaria do funk, mas deixando meu preconceito musical de lado, que a justiça seja feita, tai mais um filme nacional de alto nível.

O filme tem a direção de: Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra e Manaíra Carneiro. O longa segue por episódios, são 5 como o nome sugere.

Episódio 1 - Fonte de Renda:
Maicon (Sílvio Guindane) consegue realizar o sonho de passar no vestibular para direito, mas logo se encontra apreensivo devido à sua incapacidade de arcar com os gastos com livros, alimentação e transporte. Pela sua situação ele começa a vender drogas para os colegas de faculdade, como forma de obter o sustento necessário para os estudos.

Episódio 2 - Arroz com Feijão:
Para conseguir um quarto para o filho, os pais de Wesley (Juan Paiva) resolvem reduzir o cardápio diário a arroz com feijão. No aniversário do pai o garoto se junta ao amigo Orelha (Pablo Vinícius) para conseguir dinheiro, no intuito de comprar um frango como presente para o pai.

Episódio 3 - Concerto para Violino:
Quando as crianças Márcia (Cíntia Rosa), Jota (Thiago Martins) e Ademir (Samuel de Assis) fizeram um pacto de amizade eterna. Agora, com todos em torno dos 20 anos, Jota entrou para o tráfico de drogas enquanto que Ademir se tornou policial. O confronto entre os dois pode impedir que Márcia, agora violinista, realize o sonho de uma bolsa de estudos na Europa.

Episódio 4 - Deixa Voar:
Flávio (Vítor Carvalho), tem 17 anos, ele perde a pipa de uma amigo que o obriga a ir recupera - lá na favela vizinha, de uma facção rival. Mesmo com medo, ele decide buscar a pipa.

Episódio 5 - Acende a Luz:
É véspera de Natal e o morro está sem luz dias. Como os técnicos da companhia de luz não conseguem resolver o problema, um deles é sequestrado pelos moradores locais. Eles decidem fazê-lo de refém até que a luz volte.

O filme não poderia terminar com história melhor.

Ótimas histórias, com um belo roteiro, uma péssima trilha, porém, um grande filme nacional que vale a pena ser conferido por todos, o nome pode até fazer você torcer o nariz, mas não julgue o livro pela capa, re comendo mais um filme nacional, com um grande elenco conhecido.


Nota: 6.5
Download: ‘5x Favela – Agora Por Nós Mesmos’





Título original: (5x Favela - Agora por Nós Mesmos)
Lançamento: 2010 (Brasil)
Direção: Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra, Manaíra Carneiro
Roteiro: Rafael Dragaud (coordenação), José Antônio Silva, Vilson Almeida de Oliveira, Rodrigo Cardozo, Cadu Barcellos e Luciana Bezerra
Duração: 103 min
Gênero: Drama/Documentário
Distribuidora: Sony Pictures Entertainment / RioFilme


Elenco:

Ruy Guerra (Seu Manoel)
Flavio Bauraqui (Raimundo)
Sílvio Guindane (Maicon)
Gregorio Duvivier (Edu)
Hugo Carvana (Dos Santos)
Roberta Rodrigues (Renata)
Juan Paiva (Wesley)
Pablo Vinícius (Orelha)
Renata Tavares (Judite)
Thiago Martins (Jota)
Cíntia Rosa (Márcia)
João Carlos Artigos ()
Samuel de Assis (Ademir)
Feijão (Tizil)
Edyr Duqui (Mãe)
Dandara Guerra (Sofia)
Jayme del Cueto (Coronel)
Sarita Rodrigues (Mariete)
Vítor Carvalho (Flávio)
Renzo Aprouch (Marlon)
Luís Fernando (Buiu)
Carlos Eduardo Nunes (Marlon)
Gleison Silva (Rafael)
Joyce Lohanne (Carol)
Luciano Vidigal (Pardal)
Zózimo Bubul (Homem do bar)
Marcelo Mello (Alex)
Márcio Vito (Lopes)
João Carlos Artigos (Cimar)
Josanna Vaz (Angélica)
Dila Guerra (Lica)
Fátima Domingues (Maria)


Curiosidades:

- No verão de 1961 para 1962, cinco jovens universitários de classe média (Cacá Diegues, Leon Hirszman, Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade e Marcos Farias) subiram os morros cariocas para realizar um longa-metragem em episódios, produzido pela União Nacional dos Estudantes (UNE). O resultado, Cinco Vezes Favela, tornou-se um marco do Cinema Novo brasileiro;

- O projeto retoma uma ideia original do cineasta Leon Hirszman (1938-1987), a quem o filme é dedicado;

- No início de 2009, 603 jovens moradores de favelas se inscreveram para participar das oficinas técnicas promovidas pelos produtores. Deles, 229 participaram de oficinas;

- Para que eles pudessem participar das oficinas foi gasto cerca de R$ 45 mil em vales transporte e outros R$ 50 mil em vales refeições, além de ajudas de custo;

- Um profissional, reconhecidamente competente em cada uma das áreas técnicas necessárias para a realização de um filme, foi contratado como coordenador de cada oficina, de forma a acompanhar o trabalho dos alunos e seu desenvolvimento;

- Ruy Guerra, Walter Lima Junior, Nélson Pereira dos Santos, dentre outros grandes nomes do cinema nacional, ministraram algumas das oficinas;

- Dos alunos que cursaram as oficinas, 84 foram escolhidos para integrar a equipe técnica do filme. A seleção ocorreu tendo por base o aproveitamento e currículo;

- Os episódios foram realizados com o apoio da CUFA, na Cidade de Deus; do Nós do Morro, no Vidigal; do Observatório de Favelas, no Complexo da Maré; do AfroReggae, em Parada de Lucas; e o Cidadela/Cinemaneiro, em várias comunidades ao longo da Linha Amarela; Luciano Vidigal dirigiu o episódio Concerto para Violino;

- Os temas de cada episódio foram escolhidos pelos próprios alunos de cada oficina de roteiro, sendo desenvolvidos coletivamente por eles;

- É o primeiro longa-metragem brasileiro totalmente concebido, escrito e realizado por jovens moradores de favelas;

- Manaira Carneiro e Wagner Novais dirigiram o episódio Fonte de Renda; Rodrigo Felha e Cacau Amaral dirigiram o episódio Arroz com Feijão;

- Para a conclusão do longa, foram necessários quatro anos de preparação e produção;

- O filme foi exibido em caráter hors concours no Festival de Cannes 2010;

- O filme ganhou prêmio de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante - Marcio Vitto, Melhor Atriz Coadjuvante - Dila Guerra, Melhor Roteiro, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora pelo PAULÍNIA FESTIVAL DE CINEMA;

- O orçamento de 5x Favela - Agora por Nós Mesmos foi de R$ 4 milhões

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Bem Amado

Guel Arraes (Alto da Compadecida), mais uma vez está de parabéns, o longa O Bem Amado é uma obra de arte que mostra novamente do que o cinema nacional é capaz. Adaptação de um grande sucesso da televisão, estrelado por Paulo Gracindo na época e por sua vez baseado na peça de Dias Gomes, Arraes seguiu a mesma linha na companhia de um ótimo elenco que dispensa comentários.

O papel principal dessa vez é de Marco Nanini como o político corrupto Odorico Paraguaçu. E Zeca Diabo é interpretado por José Wilker (antigamente, Lima Duarte).

Na conhecida história, Odorico (Marco Nanini) assume a prefeitura de Sucupira com a missão de construir e inaugurar o cemitério da cidade. Mas como não morre ninguém por aquelas bandas, o político enfrenta a pressão de Vladimir (Tonico Pereira), que o acusa de corrupto, e ainda tem que dar conta do "fogo" da irmãs Cajazeiras, Doroteia (Zezé Polessa), Dulcineia (Andréa Beltrão) e Judiceia (Drica Moraes).

O roteiro é bom, manteve alguns personagens, deixou outros de lado, e tomou algumas liberdades como fazer um paralelo com a política nacional, citando Jango ou mostrando imagens do movimentos das Diretas Já!. Mas acima de tudo, como era de se esperar, extraiu mesmo - e com maestria - as pérolas dos diálogos de um homem de muitas palavras (neologismo puro) e para quem "moral e política são coisas diferentes".

O longa conta também com a força de seu elenco coadjuvante. José Wilker e seu andar endurecido, a espevitada Drica Moraes e o atrapalhado e ingênuo Matheus Nachtergaele brilham em cena. Mesmo aqueles que não conhecem os personagens, graças à peça teatral e à novela nela baseada, são rapidamente atraídos por seu vigor e peculiaridade dentro da história. O diretor Guel Arraes ainda encontra espaço para uma de suas marcas registradas, a mescla de estilos, ao apresentar uma divertida citação às fotonovelas. Até mesmo o inevitável merchandising, uma praga em boa parte do cinema nacional, aparece de forma mais leve, adequado à época em que a história se passa.

Recomendo esse longa para todos inclusive para quem não teve a oportunidade de ver a novela ou a peça como eu, é uma ótima adaptação que merece ser vista pelo mundo todo.
Pena é saber que uma obra tão perfeita como essa não vai nos representar em 2011 na premiação do Oscar. Realmente é lamentável.


Nota: 9



título original: (O Bem Amado)
lançamento: 2010 (Brasil)
direção:Guel Arraes
duração: 107 min
gênero: Comédia

Elenco:

Marco Nanini (Odorico Paraguaçu)
Matheus Nachtergaele (Dirceu Borboleta)
José Wilker (Zeca Diabo)
Caio Blat (Neco Pedreira)
Andréa Beltrão (Dulcineia)
Drica Moraes (Judiceia)
Tonico Pereira (Vladimir)
Zezé Polessa (Doroteia)
Maria Flor (Violeta)
Edmilson Barros (Chico Moleza)
Bruno Garcia

domingo, 31 de outubro de 2010

Quincas Berro D'Água de Sergio Machado e Walter Salles

O que eu acho uma injustiça é quando falam que o Brasil não produz filmes bons. Pior de tudo é ver fulano falando que não assiste a filmes nacionais por que é um lixo, mas nem vou culpar esses ignorantes da vida, afinal, é muito difícil ver um filme nacional nos cinemas, ainda mais quando poucos conhece.

Acabo de assistir uma adaptação do livro A morte e a morte de Quinca Berros D’Água um clássico do escritor Jorge Amado de 1958, o longa leva apenas o nome de Quinca Berros D’Água, direção de Sérgio Machado e produção executiva de Walter SAlles, o filme mostra que a obra do escritor baiano consegue levar para o público muito humor, com uma bela pitada de drama e romance.

Quincas Berro D’Água (Paulo José), é um simples boêmio convicto, amante da bebida, apaixonado pelos fiéis amigos cachaceiros e pelas alegres prostitutas. Quincas é um homem feliz demais para aceitar a morte justamente no dia de seu aniversário. Sendo assim, o seus amigos também se recusa a aceitar a morte do amigo antes da própria festa. Para eles aquilo era só uma brincadeira de Quincas. Na duvida, porque não ir para a farra? Mesmo morto, nosso boêmio não vai querer perder a “saideira” em grande estilo.

O filme, assim como o livro, é narrado pelo morto, que aproveita de sua “situação” para falar o que bem entende, com todos os palavrões a que julga ter direito e sem medir esforços para falar mal de todos (ou quase todos) que o cercaram durante sua vida. Suas palavras são ao mesmo tempo cômicas e cruéis, muito bem ditas pelo excelente ator Paulo José, que não precisa de mais do que expressões sutis para “dar morte” ao personagem-título.

O longa mostra um grande elenco, sem conta fotografia, trilha sonora, e belos efeitos especiais. Se ainda existe gente falando mal dos efeitos especiais no cinema brasileiro (outra injustiça), vale a pena ressaltar principalmente as cenas de tempestade em pleno oceano.

Recomendo mais esse filme dizendo que isso é mais uma grande prova que o Brasil também sabe fazer muito bem a sétima arte, o cinema brasileiro é fantástico assim como o quem vem de fora. É risada garantida, filme de primeira qualidade, cinema nacional de dar orgulho.

Por fim, termino com um verso narrado por Quincas Berro D’Água no filme:

“Cada qual que cuide do seu enterro
impossível, não há!
Sete palmos de terra, não vão me encarcerar
vaguei o sabor das ondas, num leito de espuma do mar
nem no céu nem no inferno, no mar é que eu vou morar
esperando Manoela no colo de Iemanjá.
Tristeza não paga divida, é ditado bem conhecido
só tem que chorar a morte, quem morreu sem ter vivido
pode guardar seu caixão pra melhor ocasião
não vou me deixar prender em cova rasa no chão
me enterro quando entender, na hora que resolver
não quero choro nem prece
não quero vela nem andor
pode enfiar tudo isso, no cú do comendador.”
(Jorge Amado 1912 - 2001)


Nota: 9








Paulo José (Quincas Berro D'Água)
Marieta Severo (Manuela)
Mariana Ximenes (Vanda)
Vladimir Brichta (Leonardo)
Flávio Bauraqui (Pastinha)
Irandhir Santos (Cabo Martim)
Luís Miranda (Pé de Vento)
Frank Menezes (Curió)
Othon Bastos (Alonso)
Walderez de Barros (Tia Marisa)
Mílton Gonçalves (Delegado Morais)
Carla Ribas (Otacília)
Germano Haiuti (Tio Eduardo)
Eurico Brás (Agenor)
Angelo Flávio (Zico)
Maria Menezes (Lolita)