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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Faroeste Caboclo

Sou um fã assumido de Legião Urbana, sempre admirei Renato Russo e fiquei feliz por saber que uma de suas músicas iria se tornar filme. No começo fiquei ansioso, mas depois de ver tantos problemas antes do filme estrear, que minha ansiedade transformou em só mais uma espera e depois sumiu, não tive coragem de ver no cinema e esperei até agora para enfim assistir ‘Faroeste Caboclo’.

Bom, vou tentar não levar para o lado pessoal da coisa. Primeiro, que fique bem claro que eu não tenho nenhum preconceito por filmes nacionais, muito pelo contrário, existem produções nacionais digna de reconhecimento, como por exemplo, ‘Tropa de Elite 1 e 2’, ‘Estomago’, ‘Caixa Dois’, ‘O Homem Que Copiava‘, entre outros. Mas o que realmente é um perigo, é quando temos um filme com um roteiro já “pré-criado”, pois trata-se de um filme baseado numa música conhecida por todos, e um diretor estreante que com certeza fez tudo nesse longa, menos dirigir. A direção de René Sampaio é horrível, chega a doer, falhas e mais falhas, seguindo um roteiro confuso cheio de baixos e baixos, nada da certo e o que você vê é algo tão fora de contexto que chega a ser chato demais.

Apesar de não precisar explicar a sinopse desse longa,  que infelizmente está completamente fora de qualquer sequencia da música, a trama mostra João (Fabrício Boliveira), que logo a perda da mãe (isso mesmo, da mãe), deixa Santo Cristo em busca de uma vida melhor em Brasília (hein?). Ele quer deixar o passado repleto de tragédias para trás. Lá, conta com o apoio do primo (de novo, mas hein?) e traficante Pablo (César Troncoso), com quem passa a trabalhar. Já conhecido como João de Santo Cristo, o jovem se envolve com o tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que mantém um emprego como carpinteiro. Em meio a tudo isso, conhece a bela e inquieta Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador (Perai, Senador?) (Marcos Paulo), por quem se apaixona loucamente. Os dois começam uma relação marcada pela paixão e pelo romance, mas logo João se verá em meio a uma guerra com o playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib), que coloca tudo a perder (desisto, sério, chega, já deu!).

Pois bem. Vamos ao roteiro, algo que eu quero destacar em detalhes e com muito cuidado, para que quem sabe um dia os roteirista e René, possam ler essa minha crítica e ver o quanto eles erraram, (mas por favor, sem Remake!). Acredito que todos conhecem a letra, mas vou mesclar, letra e roteiro. Primeira parte:

MÚSICA 1ª PARTE: Não tinha medo o tal João de Santo Cristo/Era o que todos diziam quando ele se perdeu/Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda/Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu/Quando criança só pensava em ser bandido/Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu/Era o terror da cercania onde morava/E na escola até o professor com ele aprendeu. Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro/Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar/Sentia mesmo que era mesmo diferente/Sentia que aquilo ali não era o seu lugar/Ele queria sair para ver o mar/E as coisas que ele via na televisão/Juntou dinheiro para poder viajar/De escolha própria, escolheu a solidão. Comia todas as menininhas da cidade/De tanto brincar de médico, aos doze era professor/Aos quinze, foi mandado pro reformatório/Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror/Não entendia como a vida funcionava/Discriminação por causa da sua classe e sua cor/Ficou cansado de tentar achar resposta/E comprou uma passagem, foi direto a Salvador...

ROTEIRO: Não lembro em parte alguma do filme mostrar a infância de João, mas é claro, pois em nenhum momento a infância dele é mostrada, o máximo é alguns flashback que o protagonista tem sobre UM momento com o pai, onde por causa de um desentendimento no bar o pai dele é morto por um policial, veja bem, não um soldado, onde é morto por vários tiros, e não um apenas.  “Quando criança só pensava em ser bandido”, estranho, pois no longa ele vive falando que nunca quer ser bandido, e por fim não tem professor, não tem igreja, não come ninguém (só a Isis), reformatório virou FEBEM, no lugar de uma fazenda, João vive com a mãe no sertão da Bahia, em meio a seca e fome, sem contar que a cidade de Salvador nem é citada no filme. O sentimento é chegar ao meio da conversa, porque de uma hora para outra ele já está chegando a Brasília.

MÚSICA 2ª PARTE: ... E lá chegando foi tomar um cafezinho/E encontrou um boiadeiro com quem foi falar/E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem/Mas João foi lhe salvar. Dizia ele: "Estou indo pra Brasília/Neste país lugar melhor não há/Tô precisando visitar a minha filha/Eu fico aqui e você vai no meu lugar". E João aceitou sua proposta/E num ônibus entrou no Planalto Central/Ele ficou bestificado com a cidade/Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal. "Meu Deus, mas que cidade linda,/No Ano-Novo eu começo a trabalhar". Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro/Ganhava cem mil por mês em Taguatinga/Na sexta-feira ia pra zona da cidade/Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador/E conhecia muita gente interessante/Até um neto bastardo do seu bisavô. Um peruano que vivia na Bolívia/E muitas coisas trazia de lá/Seu nome era Pablo e ele dizia/Que um negócio ele ia começar. E Santo Cristo até a morte trabalhava/Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar/E ouvia às sete horas o noticiário/Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar/Mas ele não queria mais conversa/E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar/Elaborou mais uma vez seu plano santo/E sem ser crucificado, a plantação foi começar...

ROTEIRO: Como disse antes, não tem viagem para Salvador, boiadeiro então? Nem pensar! No lugar do cafezinho João chega em um boteco qualquer e rouba um prato de comida, onde Santo Cristo está a procura pelo seu primo (tenso), seu primo Pablo, um peruano sem vergonha que não convence nem como paraguaio. Pablo no longa é um traficante meia boca que tenta comandar uma espécie de milícia na favela onde vive. Então você espera ao menos ver as luzes de Natal, mas tudo que aparece é uma ponte com algumas luzes que mais parece um enfeite natalino muito do mal feito. Então uma coisa condiz com a música, João começa seu trabalho como carpinteiro (como tem que ser!), porém, não se vê nenhuma zona da cidade, ele não conhece ninguém interessante e muito menos o tal neto bastando do seu bisavô. Voltando sobre Pablo, na letra de Renato Russo, a ilusão que temos de Pablo, é um peruano trambiqueiro, daqueles que resolve tudo a qualquer hora, mas como já dito, esse Pablo não passa de um traficante meia boca e sem vergonha. Então, eis que acontece algo esperado: a plantação, João começa uma plantação de maconha para conseguir dinheiro e impressionar Maria Lucia (acredite, nesse longa ele já conheceu e já ficou com ela antes de tudo isso), e pra piorar, ele ainda tem coragem de falar forçadamente a frase: “Logo, logo os maluco da cidade souberam da novidade” e alguém responde: “Tem bagulho bom aí!”, é de doer.

MÚSICA PARTE 3: ... Logo, logo os maluco da cidade souberam da novidade/"Tem bagulho bom ai!"/E João de Santo Cristo ficou rico/E acabou com todos os traficantes dali/Fez amigos, frequentava a Asa Norte/E ia pra festa de rock, pra se libertar/Mas de repente/Sob uma má influência dos boyzinho da cidade/Começou a roubar. Já no primeiro roubo ele dançou/E pro inferno ele foi pela primeira vez/Violência e estupro do seu corpo/"Vocês vão ver, eu vou pegar vocês". Agora o Santo Cristo era bandido/Destemido e temido no Distrito Federal/Não tinha nenhum medo de polícia/Capitão ou traficante, playboy ou general/Foi quando conheceu uma menina/E de todos os seus pecados ele se arrependeu/Maria Lúcia era uma menina linda/E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu/Ele dizia que queria se casar/E carpinteiro ele voltou a ser/"Maria Lúcia pra sempre vou te amar/E um filho com você eu quero ter"...

ROTEIRO: E mais furos, mas sequencia quebrada, mais roteiro furado. Após a plantação, parece que talvez alguma coisa vai fazer sentido entre música/filme, (mais uma vez fomos surpreendidos novamente), pois como já falei, João já está envolvido com Maria Lucia que ele conhece após uma fuga da policia, mas já comento sobre isso... Então, mais uma vez não se vê nenhum amigo, e sim uma turminha que ignora o protagonista por causa de sua cor, mas começam a aproximar quando descobrem que a maconha dele é melhor do que as drogas de Jeremias. Mas, nada de se envolver com os “boyzinho da cidade”,  nada de roubo, e a única violência que se vê e em partes condiz com a música, é João sendo espancado pelos capangas de Jeremias e por fim estuprado. Mas nem isso mostra a revolta de João, nada de um ser destemido, sem medo e passando por cima de todos, absolutamente, nada disso. E por fim, a pior coisa que acontece no filme é o encontro de Santo Cristo com Maria Lucia, enquanto na música ele passa por grandes conflitos financeiros e pessoal até chegar a sua amada, nesse longa eles já se encontram antes de tudo, Jeremias já apareceu mostrando interesse na mocinha e uma hora para outra o casal já se ama, já estão juntos e ele escondendo sua “vida bandida” da mocinha.

MÚSICA PARTE 4: ... O tempo passa e um dia vem na porta/Um senhor de alta classe com dinheiro na mão/E ele faz uma proposta indecorosa/E diz que espera uma resposta, uma resposta do João. "Não boto bomba em banca de jornal/Nem em colégio de criança isso eu não faço não/E não protejo general de dez estrelas/Que fica atrás da mesa com o cú na mão/E é melhor senhor sair da minha casa/Nunca brinques com um Peixes de ascendente Escorpião". Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse/"Você perdeu sua vida, meu irmão"/"Você perdeu a sua vida meu irmão/Você perdeu a sua vida meu irmão/Essas palavras vão entrar no coração/Eu vou sofrer as consequências como um cão". Não é que o Santo Cristo estava certo/Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar/Se embebedou e no meio da bebedeira/Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar/Falou com Pablo que queria um parceiro/E também tinha dinheiro e queria se armar/Pablo trazia o contrabando da Bolívia/E Santo Cristo revendia em Planaltina...

ROTEIRO: Está difícil, a cada cena o novato René Sampaio só se complica e se complica feio. Não custava colocar pelo menos uma frase assim: “Alguns dias depois...”, acredito eu que pelo menos daria uma quebrada na situação constrangedora até aqui, mas talvez para economizar um pouco, já que não tem boiadeiro, também não vai ter Coronel. A maior autoridade que se vê é o pai de Maria Lucia que também é Senador, interpretado por Marcos Paulo, que fica claro que está ali só para preencher um buraco mal tampado, sendo assim, então nada de ameaça contra João e se não tem ameaça não precisa se embebedar, (até porque em nenhum momento do filme Santo Cristo está bebendo até cair), então ninguém roubou seu emprego, pelo contrário, ele acaba pedindo sociedade para o carpinteiro e por fim, não tem nada a falar ou pedir para Pablo, já que acredite se quiser, a Winchester-22, arma citada na música não é dada para Santo Cristo, no máximo emprestada, mas não existe um presente desse porte no longa.

MÚSICA PARTE 5: ... Mas acontece que um tal de Jeremias/Traficante de renome, apareceu por lá/Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo/E decidiu que, com João ele ia acabar/Mas Pablo trouxe uma Winchester-22/E Santo Cristo já sabia atirar/E decidiu usar a arma só depois/Que Jeremias começasse a brigar. Jeremias, maconheiro sem-vergonha/Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar/Desvirginava mocinhas inocentes/Se dizia que era crente mas não sabia rezar/E Santo Cristo há muito não ia pra casa/E a saudade começou a apertar/"Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia/Já tá em tempo de a gente se casar"/Chegando em casa então ele chorou/E pro inferno ele foi pela segunda vez/Com Maria Lúcia Jeremias se casou/E um filho nela ele fez/Santo Cristo era só ódio por dentro/E então o Jeremias pra um duelo ele chamou/"Amanhã às duas horas na Ceilândia/Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou/E você pode escolher as suas armas/Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor/E mato também Maria Lúcia/Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor". E o Santo Cristo não sabia o que fazer/Quando viu o repórter da televisão/Que deu notícia do duelo na TV/Dizendo a hora e o local e a razão...

ROTERIO: Está acabando, mas os erros e falhas continuam firme e forte mesmo. Até porque, enquanto na música João nem imagina quem é o tal Jeremias, no longe, ele já conhece o dito cujo momentos depois de “pegar” sua amada Maria Lucia. A tal Rockonha acontece, mas para onde foram as mocinhas inocentes? Porque o que aparece é alguns policias quem nem pra bandido serve fazendo uma emboscada para prender João de Santo Cristo. Seu primo é morto e ele é preso. Maria Lucia então tenta visitar seu amado, ele afasta ela e então, caminho livre para Jeremias que até um filho nela fez (pelo menos isso), mas aí acontece o pior erro de todos, tanto de roteiro, como de cena, sequencia e tudo mais. João descobre que seu amor está esperando um filho do rival, e faz uma fuga tão medíocre, que nem o pior filme B seria capaz de produzir uma ignorância dessa. Então talvez para se redimir, é agora que vamos ver João desafiar Jeremias, jurar a vida de Maria e ser entrevistado por um repórter que vai noticiar o duelo na TV. Haha, enganados novamente, nada disso acontece de novo e a ameaça se torna um recado escrito na mesa com a frase: “Ceilândia, lota 14”. (Doeu muito).

MÚSICA PARTE 6 (FINAL) ... No sábado então, às duas horas/Todo o povo sem demora foi lá só para assistir/Um homem que atirava pelas costas/E acertou o Santo Cristo começou a sorrir/Sentindo o sangue na garganta/João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir/E olhou pro sorveteiro e para as câmeras e/A gente da TV que filmava tudo ali. E se lembrou de quando era uma criança/E de tudo o que vivera até ali/E decidiu entrar de vez naquela dança/"Se a via-crucis virou circo, estou aqui"/E nisso o sol cegou seus olhos/E então Maria Lúcia ele reconheceu/Ela trazia a Winchester-22/A arma que seu primo Pablo lhe deu. "Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é/E não atiro pelas costas não/Olha pra cá filha da puta, sem vergonha/Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"/E Santo Cristo com a Winchester-22/Deu cinco tiros no bandido traidor/Maria Lúcia se arrependeu depois/E morreu junto com João, seu protetor/E o povo declarava que João de Santo Cristo/Era santo porque sabia morrer/E a alta burguesia da cidade/Não acreditou na história que eles viram na TV/E João não conseguiu o que queria/Quando veio pra Brasília, com o diabo ter/Ele queria era falar pro presidente/Pra ajudar toda essa gente que só faz... Sofrer.

ROTERIRO (FINAL) Se o longa seguisse como manda a música não teria um certo alerta de Spoiler nessa parte final, mas tem. Acredite, após absolutamente nada do esperado acontecer, o inesperável que deveria ser então imprevisível acaba caindo no previsível, pois se nada que era para acontecer aconteceu, é claro que não será diferente agora. Lembrando que na música diz: “Todo o povo sem demora foi lá só para assistir”, então pensei, talvez eles estão atrasados, porque o duelo está para acontecer em um campinho de futebol no meio do nada e só mato se vê ao redor, aí o esperado acontece, João é baleado, mas (tem uma “mas”), João é baleado no peito (não pelas costas), no peito mesmo, na sequencia Maria Lucia aparece correndo com a Winchester-22 em punho, mas ainda aquela dúvida: Cadê as bandeirinhas? Cadê a lembrança de quando era criança? Como não tinha “o publico” para aplaudir, cadê o sorveteiro e as câmeras dos agentes da TV? Nada! Nem mesmo o sol aparece para cegar nosso herói e quem ganha uma bala nas costas é Maria Lucia (ué, mas ela não se matou?), não nessa história. Pois bem, como nada é fiel, então João também não precisou gastar saliva antes de dar os cinco tiros em Jeremias. Pelo menos a contagem dos tiros foi feita. E para finalizar, nada de presidente para ouvir o apelo de João de Santo Cristo.

Realmente não da para aceitar isso tudo. A direção é ruim, roteiro... deixa para lá, fotografia dói e o que talvez de uma aliviada é a trilha, que pelo menos faz jus ao gosto musical da época, com muito punk-rock. Mas a certeza é que nem Renato Russo aprovou essa bomba.

Não recomendo mesmo, espero um dia esquecer que presenciei isso.


Nota: 00



Título original: (Faroeste Caboclo)
Lançamento: 2003
Direção: René Sampaio
Roteiro: Marcos Bernstein e Victor Atherino
Duração: 100 min.
Gênero: Drama               
Orçamento: R$ 6 milhões
Distribuidores: Europa Filmes
Classificação: 10 anos


Elenco


Fabrício Boliveira (João de Santo Cristo)
Ísis Valverde (Maria Lúcia)
Felipe Abib (Jeremias)
César Troncoso (Pablo)
Antonio Calloni (Marco Aurélio)
Marcos Paulo (Ney)
Cinara Leal (Teresa)
Rodrigo Pandolfo ( Beto)
Flavio Bauraqui (pai de João)


Curiosidades


- Este é o primeiro longa-metragem que René Sampaio dirige;

- O roteiro foi escrito por Marcos Bernstein (Central do Brasil) e Victor Atherino;

- Ísis Valverde, conhecida por sua participação em novelas brasileiras, faz sua estreia no cinema;

- O longa estava agendado para estrear em 26 de outubro de 2012 inicialmente, porém o filme enfrentou dificuldades na captação do orçamento necessário para sua finalização. Por isso, o adiamento para 2013 se tornou inevitável;

- Baseado na música "Faroeste Caboclo", de Renato Russo, composta em 1979 e que virou sucesso do grupo Legião Urbana a partir de 1987 com o lançamento do disco "Que País é Este". "Faroeste Caboclo" é a segunda canção mais extensa da Legião Urbana, atrás de "Metal Contra As Nuvens";

- A Copacabana Filmes adquiriu em 2005 os direitos de adaptação para o cinema da música "Faroeste Caboclo";

- O escritor Paulo Lins, autor do livro que gerou o sucesso ‘Cidade de Deus’, prestou consultoria para a dupla de roteiristas de Faroeste Caboclo;

- A principal locação do filme aconteceu no bairro Jardim ABC, em Goiás. Lá, foi construída uma cidade cenográfica para reproduzir a cidade de Ceilândia do anos de 1970, retratada na música;

- É o último trabalho do ator Marcos Paulo, que faleceu em 11 de novembro de 2012.



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A Morte do Demônio

A primeira vez é inesquecível!

Tenho a certeza de que é esse sentimento que se passa para o novato diretor Fede Alvarez que também assina pela primeira vez um roteiro. ‘A Morte do Demônio’ é aquele tipo de filme que você não vai esquecer facilmente. A explicação para isso se mistura nesse longa que consegue misturar terror, horror e o sentimento de repulsa que até hoje, além do filme original de 1981 não pode apresentar para os fãs.

E como tudo isso é possível em um único filme? Simples. Primeiro, o filme tem a bendição e produção de Sam Raimi, diretor de ‘Uma Noite Alucinante - A Morte do Demônio’ (1981), garantindo a aprovação do novo filme. Segundo, ao invés de tentar recriar os elementos que tornaram o original tão famoso – a produção pequena, de baixo orçamento, os efeitos assumidamente toscos, o humor – o novo diretor Fede Alvarez decidiu tomar a trama do filme original como ponto de partida para uma obra moderna, e o mais próximo possível do realismo.

O roteiro que dispensa comentários apresenta para o espectador, Mia (Jane Levy), uma garota viciada em drogas. Ela é levada pelos amigos Olivia (Jessica Lucas) e Eric (Lou Taylor Pucci) para uma cabana isolada na floresta, no intuito de realizarem uma longa cura de desintoxicação. Para a surpresa de todos, o irmão de Mia, David (Shiloh Fernandez), rapaz afastado dos amigos e familiares há tempos, também aparece, junto de sua namorada, Natalie (Elizabeth Blackmore). Entretanto, eles são surpreendidos ao descobrirem que a cabana havia sido invadida, e que o porão parece uma espécie de altar grotesco, repleto de animais mortos. Lá eles encontram um livro antigo, trancado. Atraído, Eric resolve abri-lo e lê-lo em voz alta, sem imaginar as consequências de seus atos. Mia começa a manifestar um comportamento estranho, interpretado no início como sintoma da abstinência. No entanto, aos poucos, todos percebem que uma força demoníaca se apoderou de seu corpo.

O filme é perfeito e faz jus ao slogan "O filme mais apavorante que você vera nesta vida". Além de mais apavorante, ele consegue fazer com que o espectador faça parte da trama, principalmente em algumas cenas de mutilações de tirar completamente o folego.

Não apenas pelos efeitos especiais impressionantes, mas pelo uso ostensivo de som e de montagem, esta nova versão nunca poderia ter sido feita 30 anos atrás. Ela funciona como obra independente, e também como refilmagem (ou até mesmo uma “linda” homenagem) ao original. Além disso, ‘A Morte do Demônio’ aproveita que as novas gerações já viram muitas imagens de violência para trazer um conteúdo ainda mais forte que o habitual, repleto de membros cortados, olhos perfurados e vômito escorrendo das bocas.

Alvarez conseguiu adotar uma dinâmica de excessos, e não aliviou o tom das imagens para conseguir uma classificação etária mais branda – algo que seria compreensível, já que o público adolescente é o principal consumidor dos slasher movies. Em apenas 90 minutos, ele inflige todos os tipos de dores e torturas aos cinco belos adolescentes, observando com enorme prazer o calvário de cada um. Talvez falte justamente o suspense: não se brinca com a imaginação do espectador; todo indício de uma aparição demoníaca acaba de fato revelando uma aparição demoníaca.

Mas por preferir ir diretamente ao ponto, o diretor faz uma das obras de terror mais compactas e sucintas do cinema contemporâneo. Se você olhar para os lados em algum momento, terá perdido duas ou três mutilações. Melhor ainda, para manter o espectador concentrado diante de um banho de sangue ininterrupto, o cineasta começa a aumentar o teor das imagens, cada vez mais espetaculares e grandiosas, transcendentais ao limite do religioso, até uma conclusão épica, tão monstruosa quanto bela, em que o sangue impregna cada centímetro da tela e vem lavar, ironicamente, a alma de Mia (Jane Levy).

Recomendo!

Nota: 8,5
(Download em torrent)





Título original: (Evil Dead)
Lançamento: 2013
Direção: Fede Alvarez
Roteiro: Diablo Cody, Fede Alvarez, Rodo Sayagues Mendez e Sam Raimi
Duração: 90 min.
Gênero: Terror
Orçamento: US$ 14 milhões
Distribuidores: Sony Pictures
Classificação: 18 anos


Elenco


Jane Levy (Mia)
Shiloh Fernandez (David)
Lou Taylor Pucci (Eric)
Jessica Lucas (Olivia)
Elizabeth Blackmore (Natalie)


Curiosidades


- Este é o primeiro longa-metragem dirigido por Fede Alvarez;

- A atriz Lily Collins ‘Espelho, Espelho Meu’ desistiu de estrelar ‘A Morte do Demônio’ por motivo de conflitos de agenda. Jane Levy (da série ‘Suburgatory’) foi contratada para substituí-la;

- Gillian Jacobs chegou a fazer uma audição para a personagem Mia, mas perdeu o papel para Lily Collins. Posteriormente, a atriz desistiu do filme e abriu espaço para a contratação de Jane Levy;

- Agnes Bruckner e Thora Birch fizeram testes para a personagem Natalie. Já Jurnee Smollet-Bell fez uma audição para Olivia;

- Se você pegar a primeira letra dos personagens David, Eric, Mia, Olivia e Natalie perceberá que elas formam a palavra demon (demônio, em inglês);

- Logo no início do filme pode-se ver que a personagem Mia usa um suéter da universidade de Michigan. Trata-se de uma homenagem a Sam Raimi, diretor do filme original, que estudou nesta universidade;

- Apesar de não ser creditada, Diablo Cody escreveu um último tratamento do roteiro do filme;
- Esse é o filme com mais sangue feito até o momento;


- ‘A Morte do Demônio’ é uma refilmagem de ‘Uma Noite Alucinante - A Morte do Demônio’ (1981).

Invocação do Mal

Recentemente falei aqui sobre o horrível ‘Ouija - O Jogo dos Espiritos’ (2014) e de como é difícil hoje em dia encontrar um bom filme de terror. Mas, o difícil não é o impossível! E nesse caso, essa teoria se aplica ao excelente ‘Invocação do Mal’, dirigido por James Wan, o mesmo de 'Jogos Mortais' (2004), 'Sobrenatural' (2010) e 'Velozes e Furiosos 7' (2015). Com um terror muito bem colocado, o longa faz jus ao roteiro com sustos garantidos.

O roteiro muito bem amarrado, nos mostra a cidade de Harrisville, Estados Unidos. Um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) muda para uma casa nova ao lado de suas cinco filhas. Inexplicavelmente, estranhos acontecimentos começam a assustar as crianças, o pai e, principalmente, a mãe. Preocupada com algumas manchas que aparecem em seu corpo e com uma sequência de sustos que levou, ela decide procurar um famoso casal de investigadores paranormais (Patrick Wilson e Vera Farmiga), mas eles não aceitam o convite, acreditando ser somente mais um engano de pessoas apavoradas com canos que fazem barulhos durante a noite ou coisas do gênero. Porém, quando eles aceitam fazer uma visita ao local, descobrem que algo muito poderoso e do mal reside ali. Agora, eles precisam descobrir o que é e o porquê daquilo tudo está acontecendo com os membros daquela família. É quando o passado começa a revelar uma entidade demoníaca querendo continuar sua trajetória de maldades.

Baseado em um história real narrada pelo casal mais conhecido do mundo no assunto paranormal, Ed e Lorraine Warren, o longa de Wan, deixa bem claro que sim, ainda é possível fazer um bom longa de terror hoje em dia. Se você gosta de levar uns sustos e, principalmente, sentir uns arrepios dentro da sala escura, ‘Invocação do Mal’ é uma boa escolha.

O elenco faz com que a trama desenrole na medida certa, desde o elenco mirim, aos já veteranos, como por exemplo, e sem dúvida, todo o destaque para o casal Warren, interpretado por Vera Farmiga e Patrick Wilson. Como sempre Farmiga não deixa desejar com sua perfeita atuação na pele da vidente mais conhecida Lorraine Warren, ao lado do seu fiel parceiro e marido, Ed Warren (1926-2013), o casal faz com que o medo que o espectador tanto anseia se torne mais real e imprevisível, um dos pontos altíssimo desse longa.

O roteiro além de citar nas entre linhas, clássicos, como ‘O Exorcista’ e ‘Os Pássaros’, os gêmeos Chad e Carey Hayes não perde uma oportunidade sequer de inserir elementos instigantes e conhecidos, como relógios parando, um porão secreto, chiados de TV, ranger de assoalhos e portas. Além disso, um tradicional (e muito apavorante) puxão de pés na cama tem a companhia nada agradável de uma menina sonâmbula, um armário sinistro e uma brincadeira infantil, já exibida no trailer de arrepiar até os ossos.

Tudo isso, pode apostar, da um sentimento de medo mesmo. Mas também é certo que os mais “descolados” vão identificar uma série de clichês e poderão reclamar de algumas licenças típicas, como as filhas dormindo profundamente, enquanto uma mega cena tensa e barulhenta tá acontecendo com a mãe, entre outras situações, mas como todo bom cinéfilo e amante do gênero, sabe que não devemos se apegar aos detalhes. Mas isso não tira nem um pouco a força da obra, de jeito nenhum e a Warner já tem um "atividade paranormal" para chamar de seu.

O longa tem uma excelente trilha tensa e a direção der James Wan, o criador da franquia ‘Jogos Mortais’ é de arrepiar profundamente. O motivo de tamanha genialidade certamente, está na decisão acertada de não deixar o humor possuir a trama, como já aconteceu em alguns por aí. Ele até existe, mas foi devidamente dominado neste filme, que você pode assistir "com susto". Nos créditos finais, quem já tiver tirado as mãos da frente dos olhos, vai poder ver as fotos dos personagens reais, a família Warren e os Perron.

Nota: 08
(Download em torrent)




Título original: (The Conjuring)
Lançamento: 2013
Direção: James Wan
Roteiro: Carey W. Hayes e Chad Hayes
Duração: 112 min.
Gênero: Terror, Suspense         
Orçamento: US$ 13 milhões
Distribuidores: Warner Bros.
Classificação: 16 anos


Elenco


Vera Farmiga (Lorraine Warren)
Patrick Wilson (Ed Warren)
Ron Livingston (Roger Perron)
Lili Taylor (Carolyn Perron)
Shanley Caswell (Andrea Perron)
Hayley McFarland (Nancy Perron)
Joey King (Christine Perron)
Mackenzie Foy (Cindy Perron)
Kyla Deaver (April Perron)
Sterling Jerins (Judy Warren)
Shannon Kook-Chun (Drew)


Curiosidades


- Baseado em fatos reais, com a família Perron na cidade de Harrisville, em Rhode Island;

- Apesar das lembranças dolorosas, Roger Perron e seus cinco filhos foram ao local das filmagens de Invocação do Mal;

- A atriz Vera Farmiga contou com a ajuda da verdadeira medium Lorraine Warren, que auxiliou na preparação do longa-metragem;

- As sequências do lar de Ed e Lorraine Warren foram filmadas em uma casa de verdade, decorada pela designer de produção Julie Berghoff com um tapete e papel de parede que remetem aos anos 70;


- O diretor James Wan e o ator Patrick Wilson trabalharam juntos no terror ‘Sobrenatural’ (2010). O filme anterior também trazia um casal morando em uma casa junto com espíritos do mal.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Ouija - O Jogo dos Espíritos

Quando o assunto é cinema eu me empolgo, sou cinéfilo assumido e não tenho um gênero mais favorito que o outro, todos de certa forma me agradam, desde que o filme seja bom. E quando o assunto é terror, fica complicado. Já faz tempo que não se vê um filme bom para sentir aquele medo, levar aquele susto. Se tiver uma coisa que sinto falta, é dos anos 1990, onde se via aqueles filmes de baixo orçamento, efeitos ruins, mas que realmente assustava, como as franquias de ‘Sexta-feira 13’, ‘Hora do Pesadelo’ e o meu favorito ‘Halloween’ com o psicopata mais cruel Mike Myers. Fora as franquias tina também os filmes solos como, por exemplo ‘Hellraiser - Renascido do Inferno’ (1987), 'Christine - O Carro Assassino' (1983) e ‘O Mistério de Candyman’ (1992), entre outros.

Pois bem, depois do desabafo vamos ao que interessa, ou não. O longa da vez é ‘Ouija - O Jogo dos Espíritos’, dirigido pelo iniciante Stiles White, sendo o primeiro longa da carreira como diretor, antes disso só fez alguns roteiros para filmes que também não emplacaram. A versão para os cinemas do "jogo do copo" é apenas mais um terror adolescente. O filme não oferece nada de novo, contando com cenas bobas, personagens mal desenvolvidos e com uma resolução pouco satisfatória.

A história gira em torno de Laine (Olivia Cooke), uma jovem que costumava jogar o jogo de tabuleiro Ouija com a amiga Debbie (Shelley Hennig) desde pequena. As duas viam aquilo como uma brincadeira e nunca tiveram muito problema. Determinado dia, com as duas já crescidas, Laine nota um comportamento estranho da amiga, mas não cria caso com isso. No dia seguinte, Debbie é encontrada morta. Sem saber o que fazer, Laine começa a procurar razões para o ocorrido e acaba encontrando um velho tabuleiro na casa de Debbie. Ela, então, convence outros amigos, incluindo seu namorado, sua irmã e o namorado da amiga que morreu, a jogarem Ouija para tentar se comunicar com a falecida. Como podem esperar a coisa não dá muito certo e o grupo se verá diante de uma ameaça sobrenatural.

E assim segue um roteiro atrapalhado sem um pingo de criatividade, redundante, previsível e cheio de buracos. Exagerando? Nem um pouco!

Tudo que você vai nesse longa é tudo que já vimos nos filmes novos de terror de hoje em dia. Sombra no espelho, porta que abre e fecha sozinho, aparelhos eletrônicos que ligam sozinho, a vitima levando susto com nada, enquanto você mero mortal espectador, sentado em seu sofá boceja sem esperança alguma que algo novo e diferente possa acontecer.

O é pouco original e nada envolvente. Olivia Cooke, que já havia se destacou em ‘A Marca do Medo’ e vem fazendo um ótimo trabalho em ‘Bates Motel’, está completamente apagada na pele da protagonista.

Enfim, não chega a ser um filme que ofenda a inteligência do espectador, mas que também oferece pouca margem pra gerar sensações positivas. Tudo é muito simples e mal executado. Talvez fosse até um entretenimento barato. No mais, valem todos os clichês do terror. Você sabe exatamente a ordem dos personagens afetados pelos "vilões" da história. Também sabe qual vai ser o final e até imagina qual vai ser a deixa para uma eventual e triste continuação.

Não que hoje em dia não existam filmes de terror ruins, pois temos como exemplo o ‘O Ritual’, ‘A Hora do Espanto’ e o remake de ‘A morte do Demônio’. Mas esse realmente não da para classificar, esse já caiu no esquecimento.

Nota: 02
(Download em Torrent)




Título original: (Ouija)
Lançamento: 2014
Direção: Stiles White
Roteiro: Juliet Snowden e Stiles White
Duração: 89 min.
Gênero: Terror       
Orçamento: US$ 5 milhões.
Distribuidores: H2O Films
Classificação: 14 anos


Elenco


Olivia Cooke (Laine Morris)
Daren Kagasoff (Trevor)
Bianca Santos (Isabelle)
Douglas Smith (Pete)
Shelley Hennig (Debbie Galardi)
Sunny May Allison (Doris (10 years old))
Lin Shaye (Paulina Zander)
Robyn Lively (Mrs. Galardi)
Matthew Settle (Anthony Morris)


Curiosidades


- O filme é baseado na popular brincadeira do “jogo do copo”;

- A pronúncia correta do nome é "wee-já”, ao contrário do popular 'wee-Gee'. Charles Kennard, fundador da empresa de fabricação dos tabuleiros, alegou que aprendeu o nome de "Ouija" ao perguntar ao jogo como ele queria ser chamado;

- Embora existam muitos outros filmes de horror sobre tabuleiros Ouija - alguns com o mesmo título - este filme não é oficialmente um remake, e conta sua própria história girando em torno do jogo titular;

- De acordo com a figurinista Mary Jane Fort, o elenco e a equipe costumavam fazer pausas entre as filmagens e usar a placa de Ouija para prever, jocosamente, a bilheteria do fim de semana de abertura;

- Este é o primeiro longa-metragem dirigido por Stiles White. O roteiro foi escrito por Juliet Snowden e Stiles White, que já trabalharam juntos em ‘Presságio’ (2009) e ‘Possessão’ (2012).
- A atriz principal, Olivia Cooke interpreta a personagem Emma Decody na série americana ‘Bates Motel’.


- Produzido pela produtora de Michael Bay, Platinum Dunes, que também produziu os filmes de ‘Uma Noite de Crime’ e os remakes de ‘O Massacre da Serra Elétrica’, ‘Sexta-Feira 13’, ‘A Hora do Pesadelo’ e ‘A Morte Pede Carona’.

domingo, 10 de junho de 2012

Beijos e Tiros

Shane Black é um cara pouco conhecido, mas responsável por grandes filmes, porém, nunca dirigiu qualquer longa antes de ‘Beijos e Tiros’, sempre no roteiro, foi responsável pela franquia de ‘Máquina Mortífera’. Mas o que se pode dizer de seu primeiro filme é uma única coisa: ótimo! ‘Beijos e Tiros’ é um daqueles filmes espertos como. É o tipo de longa feito para quem realmente gosta de cinema e, melhor, é capaz de tirar um sarro com a indústria cinematográfica. É isso que o roteirista e diretor Black faz em sua estréia na direção: bagunça elementos de clássicos do cinema e reverte a seu favor. Inteligente e muito bem-humorado, é um filme estilo "Sessão da Tarde" com cérebro, unindo um roteiro criativo e interpretações ótimas.

O longa mostra que ao fugir da polícia Harry Lockhart (Robert Downey Jr.), um ladrão fracassado, invade um teste para atores e acaba sendo enviado para Hollywood para trabalhar. Lá ele participa de um "laboratório" com o detetive particular Gay Perry (Val Kilmer), para um papel e se vê em meio a uma complicada trama que envolve um assassinato. É quando Lockhart acaba se relacionando com uma antiga paixão dos tempos de escola.

Pela sinopse já deu para ver o peso no elenco, mas alem de Downey Jr. e Kilmer, temos a bela Michelle Monaghan, (Missão Impossível - Protocolo Fantasma). O filme é narrado em off por Harry, que faz constantes observações como se fosse um personagem da série ‘Mystery Science Theater 3000’, sacaneando os clichês e os defeitos do próprio filme, essa brincadeira com metalinguagem funcionou muito bem com o ótimo roteiro de melhor caso Black e a conhecida ironia e sarcasmo Robert Downey Jr., resumindo: uma combinação brilhante.

O elenco está afiadíssimo e a dupla formada por Downey Jr. e Val Kilmer merece estar na lista das "melhores duplas de filmes policiais de todos os tempos" - se é que esta lista existe; se não, a gente inventa. E olha que este nem da para considerar bem um filme policial, mas consegue tirar um sarro. Isso porque o diretor tem gabarito para isto: roteirista de um grande clássico do gênero já citado nesse texto. Sabendo como as coisas funcionam, com certeza fica mais fácil inverter os valores, como acontece em ‘Beijos e Tiros’. E é esse o maior charme do filme.

‘Beijos e Tiros’ é um filme que prende a atenção e possui muitos momentos divertidos, e a direção de Black faz com que se torne mais memorável ainda, não é à toa que esse longa já está alcançando deu status de cult.


Nota: 8.5
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‘Beijos e Tiros’



Título original: (Kiss Kiss, Bang Bang)
Lançamento: 2005 (EUA)
Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black
Duração: 103 min.
Gênero: Ação
Estúdio: Warner Bros. / Silver Pictures
Distribuidora: Warner Bros.
Classificação: 16 anos


Elenco

Robert Downey Jr. (Harry Lockhart)
Val Kilmer (Gay Perry)
Michelle Monaghan (Harmony Faith Lane)
Corbin Bernsen (Harlan Dexter)
Shannyn Sossamon (Pink Hair Girl)


Curiosidades

- Inicialmente o título original seria "You'll Never Die in This Town Again";

- O título original é uma citação à série de filmes protagonizada por James Bond, já que o título do "The Unofficial James Bond Companion" é justamente "Kiss Kiss, Bang Bang". Além disso, a crítica de cinema Pauline Kael já publicou um livro de críticas com este mesmo título;

- Val Kilmer teve de perder aproximadamente 20 quilos depois da atuação em ‘Alexandre’ para este filme;

- Johnny Knoxville seria Harry Lockhart, mas foi substituído por Robert Downey Jr.;

- O menino que interpreta Harry na infância é Indio Falconer Downey, filho de Robert Downey Jr.;

- Primeiro filme de Shane Black;

- Como um sinal de companheirismo em relação ao problema de Robert Downey Jr. com álcool e drogas, Val Kilmer não bebeu nenhum drinque durante as filmagens;

- Robert Downey Jr. compôs músicas para seu primeiro álbum durante as filmagens;

- Hugh Grant e Benicio Del Toro foram as primeiras opções para os papéis principais;

- As filmagens foram realizadas entre 24 de fevereiro e 3 de maio de 2004;

- Inicialmente o orçamento de ‘Beijos e Tiros’ seria de US$ 10 milhões, já que a Warner não acreditava muito no roteiro. O orçamento foi aumentado para US$ 15 milhões, com o qual o filme foi rodado. Após assisti-lo pronto os executivos da Warner gostaram tanto do filme que decidiram investir maciçamente em uma pré-estréia mundial no Festival de Cannes;

- Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2005.

sábado, 21 de janeiro de 2012

‘A Festa Nunca Termina’

O diretor Michael Winterbottom (O Preço da Coragem), conseguiu fazer um filme com um tom de documentário que realmente merece um reconhecimento e que todos os cinéfilos ou não devem assistir, o longa de 2002 ‘A Festa Nunca Termina’ mostra a dramática vida de Joy Division, Sex Pistols ou New Order.

Nos anos 70, em Manchester, Inglaterra, o jornalista Tony Wilson se cansa de realizar reportagens de pouco (ou nenhum) conteúdo para a televisão local e decide se arriscar numa nova atividade: produção musical. Sem saber, ele estava dando o pontapé inicial a um período de forte efervescência musical que ficou conhecido como Manchester. Sua trajetória - repleta de altos, baixos, sexo, drogas e punk rock - é o tema do longa com um excelente roteiro.

O longa que mescla muito bem documentário, drama e comédia tem um boa direção de Michael Winterbottom, o mesmo de Bem-Vindos a Sarajevo, o roteiro consegue segui ah linha do filme em perfeita sintonia.Porém, a história pode até ser confusa para alguns, mas embora não seja absolutamente necessário, ajuda bastante ter algum conhecimento prévio sobre os movimentos musicais britânicos dos anos 70 e 80 para curtir o filme em toda a sua intensidade.

Os fãs de Joy Division, Sex Pistols ou New Order certamente vão se identificar mais com o filme que o leigo desavisado. Mas mesmo assim é divertido acompanhar o estilo de Winterbottom contar sua história. O produtor Tony Wilson (interpretado na tela por um convincente Steve Coogan) comanda o show salpicando a narrativa com tiradas sarcásticas, citações inteligentes e momentos do típico humor inglês. Para ele, casa cheia não é sinônimo de sucesso. "Quantas pessoas havia na Santa Ceia, por exemplo", filosofa Wilson.

Coerente com o tema, o filme tem uma linguagem retrô com muitas cores estilo anos 70, câmera na mão e algumas viagens visuais típicas da época. Quem entrar no clima vai curtir.

Recomendo!


Nota: 7.5
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‘A Festa Nunca Termina’




Título original: (24 Hour Party People)
Lançamento: 2002 (Inglaterra)
Direção: Michael Winterbottom
Roteiro: Frank Cottrell Boyce
Duração: 115 min.
Gênero: Documentário/Drama/Comédia
io: Channel Four Films / Revolution Films / Film Council / Baby Cow Productions Ltd. / WAVEpictures
Distribuidora: United Artists / Metro-Goldwyn-Mayer Distributing Corporation


Elenco:

Steve Coogan (Tony Wilson)
Shirley Henderson (Lindsay Wilson)
Paddy Considine (Rob Gretton)
Sean Harris (Ian Curtis)
Danny Cunningham (Shaun Ryder)
Andy Serkis (Martin Hannett)
Chris Coghill (Bez)
Lennie James (Alan Erasmus)
Ralf Little (Peter Hook)
Paul Popplewell (Paul Ryder)
John Simm (Bernard Sumner)
Keith Allen (Roger Ames)
Rob Brydon (Ryan Letts)
Enzo Cilenti (Peter Saville)
Ron Cook (Derek Ryder)


Curiosidades

- Como o Hacienda original foi demolido em 2000, uma réplica da casa foi construída para o filme, baseando-se principalmente em relatos de diversas pessoas que frequentaram o local;

- Vários objetos pertencentes ao Hacienda original foram comprados pela produção do filme, de forma a disponibilizá-los na réplica construída para o filme.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

'Planeta Terror'

É impossível não conhecer uma obra de Robert Rodriguez. Sempre com muita violência, litros e litros de sangue, mexicanos comandando e destruindo tudo, atores de Hoolywood que normalmente seriam os mocinhos, mas são vilões, e por último, não menos importante, o primo de Rodriguez, Dani Trejo, como coadjuvante. No longa ‘Planeta Terror’ de 2007, se vê tudo isso, o filme é bizarro, supera o mais recente do diretor, ‘Machete’, mas pode acreditar que esse filme passa longe do “Thrash”.

Pincelando polêmicos temas atuais - como militarismo, o terror envolvendo armas biológicas, conflitos bélicos no Oriente Médio e Osama Bin Laden – ‘Planeta Terror’ mostra o que acontece quando produtos químicos detidos e negociados pelo exército norte-americano caem nas mãos erradas. Como resultado, grande parte da população de uma pequena cidade texana vira zumbi. Todos sedentos por carne fresca e, claro, miolos. O casal de médicos William (Josh Brolin) e Dakota Block (Marley Shelton) é surpreendido no hospital por uma multidão de homens e mulheres cheios de feridas e mutilações, que vagam com um suspeito olhar perdido. Entre eles está Cherry (Rose McGowan), uma dançarina de boate cuja perna foi arrancada num ataque noturno. Com uma metralhadora no lugar da perna decepada, ela liderara um grupo de não infectados, acompanhada por El Wray (Freddy Rodríguez), contra um grande exército de mortos vivos.

Em partes até aí tudo bem, guerra contra zumbis, um pequeno grupo de pessoas não infectadas, mas ops, a protagonista tem uma metralhadora como prótese? Sim. Mas as bizarrices não param por aí, que tal se os zumbis começassem a falar normalmente e um deles ser obcecado por vingança contra a esposa? Antes de tudo, é bom não julgar, pois estou falando de Robert Rodriguez, o mesmo que transformou Dani Trejo como protagonista em ‘Machete’.

Esse longa traz os elementos que formam uma típica produção com zumbis: criaturas se arrastando, humanos sendo devorados violentamente, tiros e abrigos incomuns para os sobreviventes. Pense nessas características e adicione altíssimas doses de violência e você terá idéia do que é o filme. A produção mostrando o sangue jorrando na tela (literalmente) enquanto zumbis caminham, exibindo enormes feridas na pele, daquelas que até se mexem sozinhas, em meio a tiros e jatos de sangue, além, do ótimo roteiro que traz diálogos espertos, divertidos e repletos de palavrões, característicos dos filmes de Robert Rodriguez, que também assina o roteiro.

Definitivamente, ‘Planeta Terror’ não é para os estômagos fracos. Ao dosar zumbis, ótimas cenas de ação, humor e até toques de romance, este é um filme bastante divertido, que certamente agradará aos fãs de filmes B, sem ser, necessariamente, um longa mal produzido, muito pelo contrário, como já disse antes, essa produção passa a anos luz do Thrash.

E que venha mais filmes de Robert Rodiguez!


Nota: 8.5
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: 'Planeta Terror'




Título original: (Planet Terror)
Lançamento: 2007 (EUA)
Direção: Robert Rodriguez
Roteiro: Robert Rodriguez
Produção: Elizabeth Avellan, Robert Rodriguez, Quentin Tarantino e Erica Steinberg
Duração: 97 min.
Gênero: Terror
Estúdio: Dimension Films / Rodriguez International Pictures / Troublemaker Studios
Distribuidora: Europa Filmes


Elenco:

Josh Brolin (Dr. William Block)
Naveen Andrews (Abby)
Bruce Willis (Tenente Muldoon)
Dani Trejo (Machete)
Freddy Rodríguez (El Wray)
Rose McGowan (Cherry Darling)
Marley Shelton (Dra. Dakota Block)
Michael Biehn (Xerife Hague)
Michael Parks (Earl McGraw)
Jerili Romeo (Ramona McGraw)
Tom Savini (Deputado Tolo)
Rebel Rodriguez (Tony Block)
Carlos Gallardo (Deputado Carlos)
Stacy Ferguson (Tammy)
Felix Sabates (Dr. Felix)
Hung Nguyen (Dr. Crane)
Julio Oscar Mechoso (Romey)
Jeff Fahey (J.T. Hague)
James Parks (Edgar McCraw)
Robert Rodriguez
Quentin Tarantino


Curiosidades:

- Inicialmente o título original seria 'Project Terror';

- O diretor Robert Rodriguez escreveu a personagem Dakota para Marley Shelton, após trabalhar com ela em ‘Sin City - A Cidade do Pecado’ (2005);

- É o 7º de nove filmes em que Robert Rodriguez e Danny Trejo trabalham juntos. Os demais foram ‘A Balada do Pistoleiro’ (1995), ‘Um Drink no Inferno’ (1996), ‘Pequenos Espiões’ (2001), ‘Pequenos Espiões 2 - A Ilha dos Sonhos Perdidos’ (2002), ‘Era Uma Vez no México’ (2003), ‘Pequenos Espiões 3D’ (2003), ‘Machete’ (2010) e ‘Pequenos Espiões 4’ (2011);

- Danny Trejo interpreta pela 4ª vez o personagem Machete. Suas aparições anteriores foram em ‘Pequenos Espiões’ (2001), ‘Pequenos Espiões 2 - A Ilha dos Sonhos Perdidos’ (2002), ‘Pequenos Espiões 3D’ (2003), ‘Machete’ (2010) e ‘Pequenos Espiões 4’ (2011);

- Rose McGowan indicou Rey-Phillip Santos para o personagem El Wray;

- Inicialmente seria John Carpenter o responsável pela trilha sonora do filme;

- Lançado nos Estados Unidos acoplado a ‘À Prova de Morte’ (2007), como o longa-metragem ‘Grindhouse’. Trata-se de uma homenagem dos diretores Quentin Tarantino e Robert Rodriguez aos filmes de terror que assistiam nas matinês na infância;

- No projeto ‘Grindhouse’ havia uma série de trailers falsos, exibidos entre ‘Planeta Terror’ e ‘À Prova de Morte’. Um deles era o de ‘Machete’, que virou longa-metragem em 2010;

- Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2007.

sábado, 8 de outubro de 2011

'Temos Vagas'

Um bom filme de suspense é aquele que nem pelo próprio nome temos ideia do que se trata, e a tradução do longa ‘Temos Vagas’ não foge muito do original, que tem como título original: Vacancy (vaga). Dirigido pelo desconhecido e novato Nimród Antal, este longa é de 2007.

A trama acompanha o casal David (Luke Wilson) e Amy (Kate Beckinsale), eles estão em crise e prestes a se separar. Repentinamente o carro quebra e ambos têm que passar a noite em um motel de beira de estrada. Discutem algumas diferenças quanto ao relacionamento, e logo percebemos que o casal enfrenta a perda de um filho. O gerente do local é Mason (Frank Whaley), um homem estranho, mas aparentemente inofensivo. Após se alojarem no quarto, David e Amy encontram no quarto uma coleção de filmes caseiros, que têm muito sangue e são bem realistas. Até que percebem que estão alojados no mesmo quarto onde os vídeos foram filmados e que são as próximas vítimas do “cineasta”.

Diante deste contexto, o espectador imagina estar diante de mais um filme que aborda a temática dos relacionamentos e perdas, e que será levado a mais pura mesmice dos filmes do gênero. Pois bem. O clichê existe sim, o final pode até ser previsível, mas na verdade, ‘Temos vagas’ caminha justamente na direção oposta desse estilo. Trata-se de um filme de suspense com sustos intensos e contínuos.

David Fox, é muito bem vivido por Luke Wilson, rosto bem conhecido em filmes decadentes de comédia bem sigilosas. Mas sua atuação realmente se diferenciava nesse ótimo suspense. A bela Kate Beckinsale é mais uma que dispensa comentário, só o simples fato das sequencias do casal em crise, já é um mero ápice para sua ótima atuação.

O mais interessante desse longa é que ele não apela no roteiro e muito menos em fotografia – muito comum em filmes do gênero – o visual parado e monótono, dispensa o enquadramento e planos de fundo, tornando tudo mais realista possível. Me arrisco a dizer que chega a lembrar filmes de Hitchcock, como por exemplo o clássico ‘Psicose’.

O longa de roteiro raso, consegue demonstrar com grande competência o que promete. Uma ótima direção, e acredito que é mais um diretor que devemos dar toda atenção. Resta esperar os próximos trabalhos.



Nota: 8
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'Temos Vagas'



Título original: (Vacancy)
Lançamento: 2007 (EUA)
Direção: Nimród Antal
Roteiro: Mark L. Smith
Produção: Hal Lieberman
Duração: 80 min.
Gênero: Ficção
Estúdio: Screen Gems / Hal Lieberman Company
Distribuidora: Sony Pictures / UIP


Elenco:

Kate Beckinsale (Amy Fox)
Luke Wilson (David Fox)
Frank Whaley (Mason)
Ethan Embry (Mecânico)
Mark Casella (Motorista de caminhão)
David Doty (Patrulheiro da auto-estrada)
Scott G. Anderson


Curiosidades:

- O roteirista Mark L. Smith teve a idéia de Temos Vagas 8 anos antes, ao dirigir numa estrada do Novo México e notar a existência de vários pequenos motéis de beira de estrada que aparentemente não tinham hóspedes;

- Sarah Jessica Parker chegou a acertar sua presença, mas posteriormente desistiu do filme;

- O orçamento de ‘Temos Vagas’ foi de US$ 19 milhões.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

‘A Última Cartada’

Sabe aqueles dias que você pensa não deveria levantar da cama, pois tudo deu errado? Aquele dia de cão que você prefere esquecer? Pois é. Mas agora imagine um dia desses em um longa-metragem nesse estilo, ao qual tudo dá absolutamente mais do que errado. O longa ‘A Última Cartada’ do diretor Joe Carnahan (Esquadrão Classe A), conseguiu dirigir um filme completamente redundante e bem violento. Mas um tipo de filme que vale ser conferido.

‘A Última Cartada’ fala de Buddy Israel (Jeremy Piven), mistura de mágico, showman e criminoso (!) Aces é um mágico que cresceu em meio a apostadores, bandidos e assassinos. Aos 21 anos ele já se apresentava em shows com lotação esgotada e andava em companhia do principal articulador do crime de Las Vegas, Primo Sperazza (Joseph Ruskin). Após se tornar o mascote não-oficial da máfia, Aces passou a acreditar que também poderia ser um dos chefes. Porém ele acaba expondo a organização que o acolheu, o que faz com que Primo torne-se seu inimigo mortal. Logo surge um boato de que Primo está oferecendo US$ 1 milhão a quem matar Aces, o que atrai os principais assassinos da cidade. A partir do momento em que a morte de Israel vale um milhão de dólares, várias facções - tanto da lei como do crime - saem em seu encalço, numa caçada sangrenta.

O roteirista e diretor Joe Carnahan (do elogiado e premiado ‘Narc’, de 2002) se enrola por inteiro ao (tentar) contar a história. Com um grande elenco ele infelizmente pecou muito ao tentar explicar boa parte que não tinha explicação. Praticamente os primeiros 20 minutos do filme apresentando vários personagens e despejando sobre a platéia uma não-absorvível quantidade de informações e textos verbalizados, demonstrando total falta de domínio da linguagem cinematográfica. Depois, fica num meio termo entre Tarantino e Guy Ritchie ao tentar estilizar, exagerar e fazer graça com a violência excessiva, mas sem um décimo do talento dos imitados citados. Personagens perdidos e sem função completam o desastre.

O protagonista Jeremy Piven, mais conhecido do programa Saturday Night Live, consegue de certa forma se envolver com o personagem estranho, mas com muito pouco talento. Tai mais um filme que teria tudo para dar certo, com um elenco de dar gosto. Mas vai cair facilmente no esquecimento do público. Um grande destaque para a linda Alicia Keys, se destacou como a matadora de aluguel. Em partes até que chega a ser um bom passa tempo.


Nota: 6
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‘A Última Cartada’



Título original: (Smokin' Aces)
Lançamento: 2007 (França, EUA, Inglaterra)
Direção: Joe Carnahan
Roteiro: Joe Carnahan
Produção: Tim Bevan, Joe Carnahan, Liza Chasin e Eric Fellner
Duração: 109 min
Gênero: Ficção/Ação
Estúdio: Working Title Films / Universal Pictures / Relativity Media / Scion Films Limited / Studio Canal
Distribuidora: Universal Pictures / UIP


Elenco:

Ben Affleck (Jack Dupree)
Jason Bateman (Rip Reed)
Ryan Reynolds (Richard Messner)
Chris Pine (Darwin Tremor)
Ray Liotta (Donald Carruthers)
Andy Garcia (Stanley Locke)
Matthew Fox (Bill)
Kevin Durand (Jeeves Tremor)
Zach Curmer (Warren)
Common (Sir Ivy)
Jeremy Piven (Buddy "Aces" Israel)
Joseph Ruskin (Primo Sparazza)
Alex Rocco (Serna)
Alicia Keys (Georgia Sykes)
Peter Berg ("Pistol" Pete Deeks)
Martin Henderson (Hollis Elmore)
Christopher Michael Holley(Bernard "Beanie" Alfonso)
Mike Falkow (Freeman Heller)
Davenia McFadden (Loretta Wyman)
Taraji P. Henson (Sharice Watters)
Nestor Carbonell (Pasquale Acosta)
Maury Sterling (Lester Tremor)
George Fischer (McGarey)
Tommy Flanagan (Laszlo Soot)
Joel Edgerton (Hugo Croop)
Marianne Muellerleile (Margie Turlock)
Wayne Newton


Curiosidades:

- Seguido por ‘A Última Cartada 2’ (2010);

- O orçamento de ‘A Última Cartada’ foi de US$ 17 milhões.


domingo, 28 de agosto de 2011

'1408'

Stephen King vai além de um mito e isso é uma coisa que ninguém pode duvidar. É fato. O problema mesmo são as adaptações que já fizeram. Mas Finalmente, conseguiram fazer uma adaptação à altura do grande escritor que ele é: um dos melhores na literatura de terror e suspense. O maior desses recentes fracassos é ‘O Apanhador de Sonhos’, de 2003. Mas, entre as adaptações do autor, podemos encontrar grandes clássicos, como ‘Conta Comigo’ (1986), ’Carrie - A Estranha’ (1976), ‘O Iluminado’ (1980) e ‘Cemitério Maldito’ (1989).

O longa ‘1408’ dirigido por Mikael Håfström mostra Mike Enslin (John Cusack), um autor de livros sobre lugares assombrados. Cético, ele não acredita nas próprias histórias que escreve, além de não possuir um público muito extenso. Enquanto termina seu último livro, “Dez Noites em Quartos de Hotéis Mal-Assombrados”, ele recebe um cartão postal do hotel Dolphin, em Nova York, com a seguinte mensagem: "Não se hospede no 1408". Obviamente, Mike fica curioso com o quarto e resolve investigar. Ele descobre que todos que se hospedaram morreram estranhamente. Ao chegar ao hotel, o gerente Gerald Olin (Samuel L. Jackson) tenta fazê-lo desistir da idéia e lhe conta que o quarto é muito mais perigoso do que pensa ao somar quase 60 vítimas em seu histórico. Mesmo assim, Mike decide encarar o desafio e passar pelo maior pesadelo que poderia enfrentar.

Há muito tempo que eu não via o ator John Cusack tão bem como nesse longa, ‘1408’ é de 2007, e roteirizado pela dupla Scott Alexander (O Mundo de Andy) e Matt Greenberg (Halloween H20 - Vinte Anos Depois), sendo o primeiro longa-metragem que eles adaptam de um texto de Stephen King e espero que não seja o último. Muito bem amarrado o longa te leva para um terror psicológico ao grande estilo de King. Sem contar em certas ligações que o roteiro faz que você deve ficar bem atento, pois todas elas levam para o numero 13.

O último longa de John Cusack que realmente mereceu créditos foi ‘2012’, mas nessa adaptação ele realmente soube levar seu personagem a um ponto de pura tensão. Sua atuação ajuda para que o sucesso do longa tenha sido tão concretizado, pois de nada adiantaria um ator mediano para um personagem tão denso, os 94 minutos de duração - nas principais cenas, sozinho. O protagonista enlouquece aos poucos, envolvendo o público em um clima apreensivo. O trabalho de direção de Mikael Håfström (Fora de Rumo) é consciente e preciso, ele garante um resultado limpo, reservando a perplexidade para o enredo.

Enfim ‘1408’ é extremamente perturbador, capaz de deixar o espectador com verdadeiros calafrios. Com base no terror psicológico, a produção foge da contagiante moda lançada pela franquia quase sem fim e entediante de ‘Jogos Mortais’ e seus sofrimentos explícitos e sangrentos.

Recomendo!


Nota: 8.5
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‘1408’




Título original: (1408)
Lançamento: 2007 (EUA)
Direção: Mikael Hafström
Roteiro: Matt Greenberg, Larry Karaszewski e Scott Alexander, baseado em estória de Stephen King
Produção: Lorenzo di Bonaventura
Duração: 94 min.
Gênero: Terror
Estúdio: Dimension Films / Di Bonaventura Pictures
Distribuidora: Dimension Films / Paramount Pictures / The Weinstein Company / Imagem Filmes


Elenco:

John Cusack (Mike Enslin)
Mary McCormack (Lily Enslin)
Jasmine Jessica Anthony (Katie Enslin)
Samuel L. Jackson (Gerald Olin)
Tony Shalhoub (Sam Farrell)
Noah Lee Margetts (Bellboy Noah)
William Armstrong (Clay)
Len Cariou (Padre)
Emily Harvey (Secretária)
Alexandra Silber
David Nicholson


Curiosidades:

- A inspiração de Stephen King para escrever a estória que gerou ‘1408’ foi uma série de reportagens publicadas sobre o parapsicólogo Christopher Chacon, que investigou um quarto mal-assombrado no hotel Del Coronado, na Califórnia;

- A atriz Kate Walsh foi contratada para ‘1408’, mas teve que desistir da personagem devido a conflitos de agenda com a série de TV em que atuava, 'Grey's Anatomy'. Em seu lugar foi contratada Mary McCormack;

- Há diversas referências ao número 13 ao longo do filme. Uma delas é o próprio título, cuja soma dos números dá exatamente 13;

- O orçamento de ‘1408’ foi de US$ 25 milhões;

- No filme da Disney 'Querem Acabar Comigo' com Ice Cube, os filhos de Suzane e ela própria aparecem num apartamento com o número 1408.


Referências ao número 13

O filme possuí várias referências ao número 13, entre elas:

- O título do filme 1408, tem sua soma igual a 13: (1+4+0+8=13);

- O quarto 1408 fica no 13º andar, porque nos Estados Unidos é costume não existir o 13º andar, assim sendo o 14º andar é de fato o 13º;

- De acordo com o gerente Olin, o hotel foi inaugurado em 1912: (1+9+1+2=13);

- Em uma das cenas, a temperatura do quarto mostra 45-40: (4+5+4+0=13);

- Mike abre a bíblia em Samuel 2 capítulo 11: (2+11=13) (Esse trecho da Bíblia fala sobre o um assassinato cometido por Davi);

- Em II Samuel 2:11 E foi o numero dos dias que Davi reinou em Hebrom, sobre a casa de Judá, sete anos e seis meses. (7+6 =13);

- Quando Mike alerta Lily para chamar a polícia, diz que está no endereço 2254 Lexington: (2+2+5+4=13);

- Mike afirma ser fã do time de Basebol Chicago White Sox, o nome White Sox foi adotado em 1903: (1+9+0+3=13);

- Michael Enslin tem 13 letras;

- A música que toca no quarto, "We've Only Just Begun", tem 18 letras no nome e da banda The Carpenters, tem 13 letras (1+8+1+3=13).

sexta-feira, 22 de julho de 2011

IT: Uma Obra Prima do Medo

Lembro como se fosse hoje a primeira vez que assisti o meu primeiro filme de terror e para a minha sorte e azar foi ‘IT: Uma Obra Prima do Medo’. Sorte por ser meu primeiro filme de terror e se tratar de uma adaptação de Stephen King, na época eu nem sabia quem era, mas descobri no ano seguinte e desde então virei fã de tudo que ele escreve. Porém, para o meu azar, eu tinha apenas 7 anos na época que assisti e esse filme foi o responsável pelo meu medo por palhaços. E desde então prometi que nunca mais iria ver novamente.

Pois bem, se passaram muitos anos da primeira e última vez que assisti ao longa que foi considerado pela crítica mundial como a mais bem sucedida adaptação de um livro de Stephen King, e acabei achando, tomei coragem e assisti novamente. Mas percebi que o meu pavor pelo filme se foi (menos meu medo de palhaço, isso é eterno), e aqui estou super feliz por poder falar um pouco sobre esse filme que marcou minha infância e creio que de muitos.

Esse longa que faz jus ao nome, sendo uma verdadeira obra prima, nos apresenta Derry, no Maine, uma pacata cidade que foi aterrorizada 30 anos atrás por um ser conhecido como "A Coisa". Suas vítimas eram crianças, sendo que se apresentava na maioria das vezes como o palhaço Pennywise. Com esta forma ele reaparece, 30 anos depois. Quem sente sua presença é Michael Hanlon (Tim Reid), um bibliotecário e único de um grupo de sete amigos que continuou morando em Derry. Assim ele liga para Richard Tozier (Harry Anderson), Eddie Kaspbrak (Dennis Christopher), Stanley Uris (Richard Masur), Beverly Marsh Rogan (Annette O'Toole), Ben Hanscom (John Ritter) e William Denbrough (Richard Thomas), pois todos os sete quando jovens viram "A Coisa" e juraram combatê-la caso surgisse outra vez. Porém este juramento pode custar suas vidas.

Nesse verdadeiro épico, o autor brinca com múltiplos personagens, cronologias paralelas e sobrepostas, além de temas socioculturais como a infância e o envelhecimento, entre muitos outros. A trama é muito envolvente, onde o passado e presente dialogam de forma perfeita, King ofereceu a seus leitores não apenas o mais violento épico de terror que já produziu, como também uma ótima história sobre amor, amizade e esperança.

A tarefa para adaptar o romance de Stephen King coube a Lawrence D. Cohen e Tommy Lee Wallace (que ganhou projeção com ‘A Hora do Espanto 2’ (Fright Night 2) de 1988) que conseguiu fazer 192 minutos de puro terror e suspense com sequência de cenas capaz de deixar qualquer ser vivo de cabelo em pé.

O Ator Tim Curry, foi o responsável em dar vida para o papel do palhaço Pennywise, e nem preciso dizer a perfeição que resultou. O roteiro mais do que bem amarrado nos envolve no drama a cada cena que temos a aparição do monstro. Deve-se reconhecer que reduzir um livro de quase 800 páginas a um filme de 192 minutos não é tarefa fácil, principalmente tratando-se de uma história tão complexa como a de "IT", e naturalmente tem que deixar de fora vários elementos da obra original e mesmo assim manter a espinha dorsal da mesma. Quem já leu o livro sentiu falta de várias coisas no filme, porém, a caracterização de Pennywise é realmente assustadora e consegue manter a atenção todo o tempo.

O que se deve lembrar para quem nunca assistiu, é que esse filme já tem 21 anos, então não espere os efeitos especiais dignos e nem um romance bobo no decorrer da trama, as imagens não são tão dignas, mas é perfeito para um filme dos anos 90.

Recomendo mais esse grande clássico que marcou várias gerações e que ainda pode marca, por na verdade, os filmes de terror estão a cada dia extintos. Mais um bom motivo para você não perder tempo e adicionar mais esse para sua coleção.


Nota: 9
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‘IT: Uma Obra Prima do Medo’



Título original: (It)
Lançamento: 1990 (EUA)
Direção: Tommy Lee Wallace
Roteiro: Lawrence D. Cohen e Tommy Lee Wallace, baseado em livro de Stephen King.
Produção: Mark Bacino
Duração: 192 min.
Gênero: Terror
Estúdio: Warner Bros. Television / Lorimar Television / Green/Epstein Productions / Konigsberg/Sanitsky Company
Distribuidora: Warner Bros. Television


Elenco:

Seth Green (Richard Tozier - 12 anos)
Harry Anderson (Richard / Trashmouth' Tozier)
Dennis Christopher (Eddie Kaspbrak)
Richard Masur (Stanley Uris)
Annette O'Toole (Beverly Marsh Rogan)
Tim Reid (Michael Hanlon)
John Ritter (Ben Hanscom)
Richard Thomas (William Denbrough)
Tim Curry (Robert Gray / Pennywise / A Coisa)
Jonathan Brandis (William Denbrough - 12 anos)
Brandon Crane (Ben Hanscom - 12 anos)
Adam Faraizl (Eddie Kaspbrak - 12 anos)
Ben Heller (Stanley Uris - 12 anos)
Emily Perkins (Beverly Marsh - 12 anos)
Marlon Taylor (Michael Hanlon - 12 anos)
Jarred Blancard (Henry Bowrs - 14 anos)
Olivia Hussey (Audra Phillips Denbrough)
Michael Cole (Henry Bowers)
Sheila Moore (Sonya Kaspbrak)
Florence Patterson (Gray Kersh)
Claire Brown (Arlene Hanscomb)


Curiosidades:

- Originalmente possuía 187 minutos;

- no Brasil o filme ficou com 157 minutos;

- Feito para a TV norte-americana.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Era Uma Vez no Oeste

Em 1969 o diretor Sergio Leone, conhecido por ótimos filmes de Faroeste, dirigiu o longa ‘Era Uma Vez no Oeste’, uma verdadeira obra prima, com um elenco formidável, com direito a tudo que um verdadeiro Western tem direito. Esse foi um dos melhores faroestes já feitos, sem contar que é bem diferente dos demais que Leone já apresentou. Esse é um dos diretores que deixou saudade.

O longa já começa em alto estilo, mostrando mais um dia de sol intenso no velho Oeste, três homens com longas capas bege aguardam a chegada do trem em sua estação. Não querem bilhetes, mas também não pretendem viajar. De arma em punho, eles apenas esperam, no mais puro tédio que resume a palavra. Um está embaixo de uma goteira, bebendo a água que se acumula em seu chapéu. Outro brinca com uma mosca, que passeava por sua barba por fazer. O terceiro cospe no chão. O vento. A expectativa. O apito. Ele anuncia que a espera chegara ao fim. Os três tomam posição estratégica, aguardando alguma coisa. Ou alguém. Engatilham suas armas e, mais uma vez, esperam. O trem descarrega os itens que para ali se destinam, mas ninguém desce. Os homens observam atentos. Nada. Novamente o apito e o trem começa a andar, partindo. Os homens abaixam suas armas e viram as costas. Nesse momento, ouve-se o som de uma gaita. Eles param e viram-se rapidamente, com as armas novamente em punho. Assim que o trem termina de passar, um homem revela-se por detrás dele, do outro lado do trilho. Ele tem uma gaita em mãos.

Tudo isso acontece nos primeiro 15 minutos. Porém, é tudo acompanhado pela clássica trilha sonora de um verdadeiro filme de faroeste, nada além disso, nem um diálogo é feito mesmo.

Entrando na história, o longa mostra o barão ferroviário Morton (Gabrielle Ferzetti), ele contrata um temido pistoleiro, Frank (Henry Fonda), para afugentar a família de Brett McBain (Frank Wolff), donos da terra que será valorizada com a chegada da estrada de ferro. Mas o bando do pistoleiro decide massacrar a família e depois plantar evidências contra o bando de Cheyenne (Jason Robards), um bando de fora-da-lei. Nesse meio tempo chega à cidade Jill (Claudia Cardinale), vinda do leste, ela foi uma prostituta e revela ser ah senhora McBain, e por tanto as terras ainda tem dono. Ela recebe a proteção do misterioso Gaita (Charles Bronson), ele é rápido no gatilho e faz parceria com Cheyenne. Mas Gaita tem contas a ajustar com o temido matador Frank.

‘Era uma vez no Oeste’ é um filme muito mais plástico que os outros de Leone, ele é um drama ambientado no Velho-Oeste, onde acontece uma história muito mais profunda, sem humor e com violência menos explícita que em seus outros filmes, mas essas não são necessariamente características ruins. São apenas diferentes. Até mesmo o jeitão do “Gaita” não combina com o favorito do diretor Clint Eastwood. Ele não é irônico, canastrão e nem brinca com a cara das pessoas. Ele é apenas um tremendo grosso que impõe a sua força quando necessário, calado e de atitude. Em Charles Bronson o diretor encontrou a pessoa certa para combinar boa atuação com o perfil que o personagem exigia.

O filme consegue te prender de uma forma inexplicável e ao mesmo tempo bem tensa em todos os momentos, o jeitão calado e frio do protagonista te deixa atento para saber ou tentar adivinhar o seu próximo passo, enquanto o espectador tenta descobrir o porque dele responder o nome de tantos homens mortos quando o seu verdadeiro nome é perguntado.

Sem contar que o longa consegue levar o segredo da vingança que o personagem de Charles Bronson planeja contra Frank - interpretado por Henry Fonda – até o último segundo do filme, com direito ao estilo de um clássico duelo onde só o mais rápido no gatilho vai sair vivo.

A atuação da bela Claudia Cardinale (Jill Brett McBain), é de hipnotizar, mas não só pela beleza dela, como o jeito que ela leva a sua personagem, pois o espectador só descobre que ela é um ex prostituta muito depois de muita coisa já ter rolado durante a trama. Já a Jason Robards (Cheyenne), mostra um fora-da-lei bem diferente e justo, levando seu personagem em um certo humor muito bem encaixado.

O roteiro muito bem amarrado dispensa comentários, pois o filme todo é seguido com diálogos que não tropeça em momento algum, mas isso já é uma marca registrada para quem conhece o trabalho do inesquecível Sergio Leone.

Esse é mais um que eu recomendo, além de recomendar todos desse diretor que nunca errou na mão quando o assunto era Western.


Nota: 10
Download: ‘Era Uma Vez no Oeste’



Título original: (C'era una Volta il West)
Lançamento: 1969 (Itália, EUA)
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Sergio Donati e Sergio Leone, baseado em estória de Dario Argento, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci.
Duração: 166 min.
Gênero: Western
Estúdio: Paramount Pictures / Rafran Cinematografica / San Marco Production
Distribuidora: Paramount Pictures / UIP


Elenco:

Henry Fonda (Frank)
Claudia Cardinale (Jill McBrain)
Jason Robards(Cheyenne)
Charles Bronson (Homem)
Frank Wolff (Brent McBain)
Gabriele Ferzetti (Morton)
Paolo Stoppa (Sam)
Jack Elam (Knuckles)
Woody Strode (Stony)
Lionel Stander (Barman)
Keenan Wynn (Xerife)


Curiosidades:

- As filmagens externas foram realizadas em Monument Valley, nos Estados Unidos, locação costumeira de John Ford, e no deserto de Almeria, na Espanha. Já as filmagens internas foram feitas nos estúdios de Cinecittà, em Roma. Considerado lento pela crítica e pelo público, ‘Era Uma Vez no Oeste’ foi um fracasso de bilheteria. O filme só foi reconhecido mais tarde, e hoje é aclamado por muitos como um dos melhores Westerns de todos os tempos;

- Houve um erro na tradução do título original para o inglês, e, conseqüentemente, para o português. O título em italiano, "C'era Una Volta Il West", significa "Era Uma Vez O Oeste", ou seja, o fim do Oeste como era conhecido, que foi destruído pelo progresso;

- O ator Henry Fonda inicialmente recusou o convite do diretor Sergio Leone para estrelar ‘Era Uma Vez no Oeste’. Fonda apenas aceitou participar do filme após o próprio Sergio Leone viajar para os Estados Unidos e convencê- lo a estrelar o longa;

- Originalmente era a intenção do diretor Sergio Leone que Clint Eastwood interpretasse o personagem que acabou ficando com Charles Bronson;

- O diretor Sergio Leone pretendia que os três protagonistas de ‘Três Homens em Conflito’, Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach, aparecessem em uma pequena ponta no segmento logo no início do filme, mas como Eastwood não estava disponível no período das filmagens esta idéia acabou sendo arquivada;

- Al Mulock, que interpretou um dos três atiradores que aparecem na sequência de abertura do filme, se suicidou em pleno set de filmagens;

- Os créditos do filme são mostrados no decorrer dos 14 minutos iniciais de ‘Era Uma Vez no Oeste’;

- Algumas versões americanas do longa possuem 20 minutos a menos que a versão original, excluindo diversas cenas do filme como todas as que aparecem o personagem de Lionel Stander;

- ‘Era Uma Vez no Oeste’ é a primeiro filme da trilogia feita pelo diretor Sergio Leone sobre a América. Os demais filmes foram ‘Quando Explode a Vingança’ (1972) e ‘Era uma Vez na América’ (1984).